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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (THE MAN WHO SHOT LIBERTY VALANCE)

Ano de Produção: 1962
Diretor: John Ford
Roteiristas: James Warner Bellah e Willis Goldback

Atores Principais:

James Stewart – Ranson Stoddard
John Wayne – Tom Doniphon
Vera Miles – Hallie Stoddard
Lee Marvin – Liberty Valance
Edmond O’Brien – Dutton Peabody
Andy Devine – Marshal Appleyard
John Carradine – Major Cassius Starbuckle
Lee Van Cleef – Reese
Woody Strode – Pompey

Faroeste conceitual. Um duelo apenas, nas duas horas de sua duração. Em poucas palavras, o filme é sobre o que fazer com um bully. A primeira opção, representada pelo bom moço James Stewart, é utilizar o poder político do Estado. Prendam o bully e julgue-o perante seus pares. A segunda, personificada na figura de John Wayne, um anti-herói cético e amargurado pelas vicissitudes da vida, é o caminho da arma de fogo, o único instrumento de poder que um bully respeita. Matem o bully e ponto final.

James Stewart retrata um personagem que marca o começo do fim do western clássico. Sua grande missão no filme é provar que o progresso e o bem-estar geral advêm do cumprimento estrito da Lei. Uma sociedade torna-se civilizada quando se abstém de fazer justiça com as próprias mãos e delega esse poder ao Estado. John Wayne põe Stewart no seu lugar – naquela cidade, naquele momento, a justiça está impotente. O poder da força bruta não está nas mãos da polícia, mas em posse daqueles que atiram primeiro, ou seja, Liberty Valance e sua gangue. O povo está à mercê dos grandes fazendeiros, donos da maior parte do território – quase como um Coronelismo – e a Lei se materializa na figura caricata do xerife covarde e ineficiente, retratado por Andy Devine.

Refletindo bem a mentalidade americana, o argumento de John Wayne e sua shotgun prevalecem no final, mas não sem crítica. Ransom Stoddard (Stewart) cede à tentação do caminho mais fácil e, aparentemente, mata Valance (Lee Marvin) num clássico duelo de pistolas. Anos após o fim do caos instaurado pelo vilão, o desenvolvimento e a civilização eventualmente chegam à pequena cidade de Shinbone, porém isto só foi possível porque o povo, inspirado pela morte de Liberty Valance, transformou Stoddard em seu novo líder político e o levou ao Capitólio. A revelação no final é fantástica: sabendo que um advogado idealista, cuja única experiência com armas se resumia a alguns treinos com latas de tinta como alvo, não tinha qualquer chance de vencer Valance num duelo, Tom Doniphon (Wayne) intervém secretamente. Oculto pelas sombras de uma rua estreita, é ele quem dá o tiro de misericórdia e acaba salvando a vida de Stoddard. Ninguém percebe e o advogado leva a fama de justiceiro. Torna-se governador do condado, depois Senador e salva a cidade da desordem. Como bem diz a mulher de Stoddard no final: “Hoje Shinbone é um jardim perto do caos que era antes.” Ah, claro. Ele também ganha a garota. Doniphon permite o triunfo a seu colega pelo bem maior e termina o filme sozinho e bêbado. Nem preciso dizer que o seu fim simboliza também o fim do faroeste à moda antiga.

Algumas cenas são sensacionais.
Peabody, a caricatura do bêbado da cidade, recita Henry V antes de ser espancado por Valance; John Wayne chama alguém de pilgrim pela primeira vez;
intimado a pegar o bife do chão por Valance, Stewart, mesmo estando furioso, acata a ordem do bully a fim de evitar que Valance e Doniphon se matem a tiros... todas cenas memoráveis. Alguns quotes também se tornaram clássicos:
“This is the West. When the legend becomes fact, print the legend.”;
“I’m staying and I ain’t buying a gun!”;
“Nothing's too good for the man who shot Liberty Valance.”;
“Liberty Valance... and his myrmidons!”;
“I know those law books mean a lot to you, but not out here. Out here a man settles his own problems.”

Outro ponto excelente do filme é o elenco. John Wayne, James Stewart e Lee Marvin ficaram famosos não só pela competência, mas também por suas vozes fantásticas e ritmos de fala inconfundíveis. Estamos numa época onde o talento do ator residia em grande parte na sua dicção e expressão facial, certamente uma forte influência do teatro. Talvez a partir daí explicam-se as atuações caricatas do elenco secundário. Além disso, especialmente quando se trata de diretores old school, como John Ford, o casting possuía critérios muito diferentes dos de hoje. Por exemplo, a idade do personagem não precisava, nem de longe, corresponder a do ator. Esse filme leva isso ao extremo. James Stewart, 53 anos na época, interpreta um advogado recém saído da faculdade. O personagem de Wayne, 54, deveria ser jovem como o de Stewart, inclusive porque, ainda solteiro e sem filhos, rivaliza Stoddard, pois também tinha a intenção de se casar com a mocinha, Hallie. O mais esquisito é O.Z. Whitehead, 50 anos, com rugas nos olhos perfeitamente visíveis, desempenhando o papel de um adolescente chupando pirulito.

A nota final é um pouco triste. Mesmo dando o necessário desconto por conta do contexto histórico, o filme ainda possui traços racistas. Afinal, “O Homem que matou o Facínora” foi filmado em 1962, época em que o movimento de liberdades civis já fervilhava nos Estados Unidos. Pompey, o único personagem negro da película, é praticamente o escravo de Wayne. Os dois se dão bem, mas Pompey é sempre tratado com superioridade, como se precisasse de um homem branco para lhe dizer o que fazer e como se comportar. Duas falas, uma de Wayne e uma de Stewart, respectivamente, ilustram bem esse fato: “My boy, Pompey; kitchen door! (Valance looks and sees Pompey at the door holding a rifle)”. Doniphon se refere a seu “assistente” como boy, apesar de terem mais ou menos a mesma idade. Hoje em dia, os negros americanos, ou melhor, os African-Americans, se ofendem profundamente se alguém não-negro os chama de boy. Stewart, por sua vez, no final do filme, oferece alguns trocados a Pompey, pois seu “senhor”, John Wayne, tinha morrido, e solta a seguinte pérola: “It’s pork chop money”. Pompey olha para ele, agradecido. Eu teria jogado o dinheiro na cara dele. Uma verdadeira humilhação. Concluindo, certamente não foi coincidência: durante uma aula de História americana, ministrada por Stoddard ao povo sem instrução da cidade, é pedido a Pompey que recite de memória um trecho da Declaração de Independência. Ele esquece a seguinte parte: "All men are created equal." Com um sorriso de orgulho estampado no rosto, Stoddard e a turma professam em voz alta o referido trecho e, num nível subliminar, deixam bem claro a Pompey, "não somos racistas, somos todos iguais, mas você tem que saber o seu lugar, boy."

Mesmo assim, o filme não pode ser considerado ruim sem que se leve o background daqueles que o fizeram em consideração. Embora seja parcialmente datado, por conta dos motivos acima mencionados, “The Man who shot Liberty Valance” se mantém como um clássico cerebral do faroeste, pois discute temas que serão sempre atuais, tais como democracia, justiça, formas de exercício de poder e, claro, como combater facínoras.

Menção: O

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

LIXO EXTRAORDINÁRIO (WASTE LAND)

Ano de Produção: 2010
Diretor: Lucy Walker
Co-diretores: Karen Harley e João Jardim

Estrelas Principais:

Vik Muniz
Tião (Sebastião Carlos dos Santos)
Zumbi (José Carlos da Silva Bala Lopes)
Suélem (Suélem Pereira Dias)
Ísis (Ísis Rodrigues Garros)
Irmã

Lida a sinopse de “Lixo Extraordinário”, logo pensei: esse vai ser um daqueles documentários sobre a realidade dura da pobreza, durante o qual choca-se e chora-se de cinco em cinco minutos. Até comentei (com o tom meio irônico) com a Amanda o fato de Moby ter feito a música do filme. “Sem dúvida que ele ia se envolver nesse filmes ecológicos, pró-reciclagem, pró-natureza.” Como discípula de Gaia, a Mãe-Terra, Amanda ficou muito brava. “Nem começou o filme e já tá com preconceitos! Depois reclama que seu gosto é considerado mainstream!” Depois de pedir as devidas desculpas, apertamos play.

Visto o filme, ele é mesmo um documentário sobre a realidade dura da pobreza, durante o qual choca-se e chora-se de cinco em cinco minutos. No entanto, é um ótimo filme. Até a marca dos vinte minutos, a película parece ser uma propaganda do trabalho do artista Vik Muniz, que, segundo ele mesmo, é o artista plástico brasileiro de maior destaque no exterior. Inicialmente, fiquei um pouco ressabiado com sua idéia de visitar o Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, o maior lixão do mundo, e engajar os catadores de lixo reciclável no seu trabalho artístico. Perguntei a mim mesmo se ele não ia dar uma de Sebastião Salgado, ou seja, tirar lindas fotos dos pobres e miseráveis, fazer um dinheirão com elas e ir embora tranqüilo, enquanto os modelos continuam lá, na mesma terrível situação.

Ledo engano. Feito o primeiro contato com os catadores “escolhidos”, ou melhor, os “fotografáveis”, o filme se eleva incrivelmente, pois seu foco sai do Vik Muniz e passa a se centrar nessas personalidades. E que personalidades! Apesar da convivência diária com a extrema miséria e repugnância do ambiente em que trabalham, eles demonstram uma grande capacidade de alegria e um alto grau de auto-respeito e de orgulho de seu trabalho. Eles repetem a mesma frase diversas vezes durante o filme: “Eu trabalho aqui porque eu não quero ser traficante, prostituta, mendigo, etc.” A minha personagem favorita é a cozinheira do lixão – a que todos chamam Irmã. Por pura bondade no coração, ela vai até lá, no meio da lixarada e do chorume, e faz o almoço dos catadores, utilizando carne e vegetais rejeitados, porém ainda na sua data de validade. O impressionante de Irmã é sua capacidade de síntese em frente à câmera. Sem instrução formal, ela resume a sua condição, seus problemas, suas aspirações com brilhantismo e sem nenhum traço de autocomiseração. E que rosto forte, fantástico! A sua foto ficou fenomenal, de perfil, com um saco de lixo equilibrado na cabeça.

Há a questão da proposta de trabalho do Vik. Ele e seu fotógrafo assistente tiram fotos dos catadores, as ampliam gigantemente no chão de um galpão através de um projetor e, em cima dessa projeção, os catadores acrescentam materiais sobre os traços das fotos, tudo sob a supervisão e orientação de Vik Muniz. Esses materiais (recicláveis) são todos provenientes do lixão do Jardim Gramacho. No fim, tira-se uma nova foto da foto original, acrescentada artisticamente de lixo. O resultado final fica muito bonito, especialmente a inspirada no “Marat”. É interessante notar que os catadores modelos convocados para trabalhar com o Vik gostam tanto da experiência que não querem mais a labuta no lixão. O orgulho pessoal de se tornar objeto de arte e de simplesmente trabalhar num ambiente sadio e criativo é suficiente para dar-lhes uma nova concepção de si mesmo. E essa nova identidade não permite mais a volta ao mundo do lixo, principalmente depois de verem suas fotos exibidas como obras de arte no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Isso comprova a conclusão de que não só a sociedade mas também o próprio catador associa a sua imagem com o seu material de trabalho, o lixo. A impressão inicial de que é possível ser feliz como catador de lixo no Jardim Gramacho se desfaz quase que completamente. Com a exceção de nossa querida Irmã, nenhum dos modelos volta ao trabalho no lixão. É nesse ponto que o meu receio inicial se desfez. Vik Muniz se recusou a desempenhar o papel predatório do artista inescrupuloso que deixa seus modelos pobres na mão. O artista leva Tião, um dos escolhidos e presidente da Associação dos Catadores de Jardim Gramacho, a Londres para vender sua foto num leilão. Questionado por sua própria esposa – “Você acha justo levar o Tião e apresentá-lo a um novo mundo, para depois ele voltar à sua vida miserável na “Waste Land”? – Vik Muniz defende que a escolha de ir ou não é do próprio Tião e ainda diz mais: “Eu, como ex-pobre, aceitaria o convite sem pestanejar, mesmo ciente de que teria de retornar à mesma vida de antes.” Concordo. E a visita valeu à pena. A foto foi vendida por vinte e cinco mil libras, cerca de cem mil reais. Vik reverteu tudo de volta a seus fotografados.

O que se pode comentar como ponto fraco do filme não me incomodou muito. Compreensivelmente, os personagens se emocionam e choram muito em várias situações – quando contam suas histórias do passado difícil, quando se vêem como obra de arte, quando descobrem por quanto suas obras foram vendidas... A grande quantidade de depoimentos dramáticos é até esperada e inevitável num filme desse tipo. As vidas das pessoas retratadas passam por uma verdadeira revolução. È natural que haja um rio de lágrimas a cada etapa vencida. Afinal, eles conquistaram algo que muitas vezes se leva uma vida para se conseguir: a auto-estima de volta. Em entrevista a Jô Soares, Tião faz a declaração definitiva: “Desculpa te corrigir, Jô, mas eu não sou catador de lixo. Sou catador de material reciclável. É diferente.”

Menção: O

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O HOMEM QUE RI (THE MAN WHO LAUGHS)

Ano de Produção: 1928
Diretor: Paul Leni
Roteirista: J. Grubb Alexander

Atores Principais:

Conrad Veidt – Gwynplaine
Mary Philbin – Dea
Olga Baclanova – Duchess Josiana
Brandon Hurst – Barkilphedro
Cesare Gravina – Ursus
Stuart Holmes – Lord Dirry-Moir
Josephine Crowell – Queen Anne
George Siegmann – Dr. Hardquanonne
Sam De Grasse – King James II
Zimbo – Homo, the Dog

Assistir um filme mudo e preto-e-branco é uma experiência cinematográfica diferente, especialmente no que se refere à figura do ator. Sou fascinado pelas grandes atuações. Por isso, ao mesmo tempo em que é incômodo não poder ouvir o que os personagens estão falando e ter que esperar pelo trecho escrito do diálogo na tela preta, os atores compensam com o seu fantástico trabalho com a face e com o corpo. Todos eles são magnificamente expressivos. Fiquei particularmente impressionado com o desempenho de Conrad Veidt. O cara é um monstro de ator.

Seu personagem é desfigurado quando criança por um cirurgião inescrupuloso – o Dr. Hardquanonne – com um sorriso eterno. Quando ele se desprende de seus captores, os quais são banidos da Inglaterra do século XVIII, Gwynplaine, perdido numa paisagem desolada, resgata um bebê dos braços da mãe morta e bate à porta de Ursus, um homem solitário, dono de uma companhia mambembe de teatro. A criança que ri e o bebê (uma menina cega) são adotados por Ursus e crescem como nômades, vagando pelo interior da Inglaterra. Já adulto, Gwynplaine ganha a vida a partir de sua popularidade como o palhaço da trupe. Popularidade profundamente indesejada, na verdade. O Homem que ri odeia o fato de que todos riem a sua volta, menos ele, apesar de seu rosto dizer diferente. Dea, a menina cega, é sua parceira de palco. Ela o ama desde pequena.

É principalmente a partir daí que se estabelece o trágico na vida do Homem que ri. Apesar de corresponder os sentimentos de Dea, ele não se entrega por não se sentir merecedor de seu amor. Ele considera injusto se aproveitar do fato de que ela não sabe de sua deformidade. Personagens literal ou figurativamente monstruosos, que não se deixam amar e ser amados são um dos temas que mais me interessam, tanto na literatura quanto no cinema. Esse filme, por exemplo, é baseado em obra homônima de Vitor Hugo. Outros exemplos são vários – o próprio "Corcunda de Notre Dame", “A Metamorfose” de Kafka, “O Fantasma da Ópera”, “A Bela e a Fera”, a Nastácia de “O Idiota”, “A Mosca”, “O Homem que ri”. Conflitos dessa natureza são fascinantes porque possuem uma natureza invertida. Gwynplaine não é um personagem cuja felicidade é negada pelas circunstâncias da vida. Pelo contrário, o Homem que ri rejeita a felicidade, por mais que a vida lhe ofereça várias chances. Essa condição de seu personagem dá a Conrad Veidt diversas oportunidades de brilhar. As cenas de intimidade e de sedução com Dea e com a Duquesa Josiana são espetaculares. Ambas se entregam completamente em seus braços, apaixonadas. Gwynplaine experimenta várias sensações ao mesmo tempo, do desejo intenso, embora contido, passando pelo horror a sua própria imagem, à vergonha e à frustração por não se permitir consumar sua paixão, tudo com um sorriso gigantesco estampado no rosto. Em suma, o estupendo ator alemão não tinha sua voz e tampouco sua boca como instrumentos de trabalho. Conrad Veidt expressou todas suas emoções, em sua maior parte negativas, o que engrandece ainda mais o seu mérito, utilizando apenas seus olhos, seu corpo e seus músculos da face. O efeito é desconcertante e macabro.

Admirei também os artifícios usados para compensar as limitações técnicas próprias de um filme mudo e em preto-e-branco. Por exemplo, quando Dea encontra uma carta da duquesa endereçada a Gwynplaine, ela fica com ciúmes. Mas como, se ela não pode ver o conteúdo da carta, muito menos o seu destinatário? Ela sente um cheiro de perfume feminino imbuído no envelope. Engenhoso. Outra cena brilhante é a do banho da duquesa. Um mensageiro é impelido por Barkilphedro – o vilão – a espiá-la nua em sua piscina pelo buraco da fechadura, enquanto ele lê a mensagem às escondidas, originalmente destinada à Rainha Anne. A cena começa com Josiana entrando na piscina, nua. A câmera foca o seu reflexo na água por um microssegundo, até que a Duquesa cria ondas na água com seu pé. E aí, lógico, não conseguimos ver sua nudez por conta dessas ondulações.

O que não me agradou foi o excesso de melodrama do filme. Por um lado, cenas com alta carga melodramática permitem que o ator mostre ao público que ele sabe chorar. Por outro, a freqüência do chororô é tanta que chega uma hora que cansa um pouco. Todas as cenas de seu terço final têm um conteúdo melô bem exagerado, quase folhetinesco, cujos detalhes são tão numerosos, que não vale a pena reproduzi-los. No entanto, faz-se necessária uma exceção: a cena em que Gwinplaine está no castelo da Rainha, junto a seus pares nobres e precisa se casar com a duquesa Josiana. Quando ele revela seu sorriso permanente, todos riem e tripudiam de sua condição de palhaço pobre tentando se passar por algo que não é. Então, o Homem que ri finalmente permite que a raiva se sobreponha à auto-piedade e bravamente rejeita sua nova condição de nobre e seu casamento com a Duquesa. É o momento de redenção de Gwynplaine, pois, a partir de seu protesto, supera sua auto-imposta condição de freak e se afirma como homem. Decide, portanto, sair em busca de sua família, Dea e Ursus, que estão prestes a zarpar, em fuga da Inglaterra.



Como nota final, fica registrado o maior legado que esse clássico do cinema mudo nos deixou: o sorriso fixo e a aparência perturbadora do Homem que ri serviram de inspiração para Bob Kane e Jerry Robinson criarem o grande rival de Batman, o Coringa. Impressionante. O personagem atravessou centenas de anos, de Vitor Hugo a Heath Ledger.

Menção: O

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

QUANDO ÉRAMOS REIS (WHEN WE WERE KINGS)

Ano de Produção: 1996
Diretores: Leon Gast e Taylor Hackford

Estrelas Principais:

Muhammad Ali
George Foreman
Don King
Norman Mailer
George Plimpton
Spike Lee
James Brown
B.B. King

“Quando éramos Reis” irradia energia pela tela. O filme é uma grande viagem nostálgica aos anos 70, época em que artistas e atletas se engajavam politicamente, uns mais, outros menos. Muhammad Ali, o maior boxeador de todos os tempos, certamente pertence à categoria do atleta inteligente, articulado e politizado, artigo em extinção na atualidade.

Muhammad era um poeta, na verdade. Sua facilidade em manipular a linguagem, muitas vezes de maneira improvisada, na hora, era incrível. Suas rimas antecedem o rap de certa forma. Em entrevista coletiva dias antes da luta contra George Foreman, já em Kinshasa, Ali veio com os seguintes versos, claramente não planejados: “You think the world was surprised when Nixon resigned? Just wait till I kick Foreman’s behind!” E, lógico, não poderia deixar de citar sua frase mais famosa: “Float like a butterfly, sting like a bee. His hands can't hit what his eyes can't see. Now you see me, now you don't. George thinks he will, but I know he won't.” Nesse sentido, uma bela cena se dá próximo ao desfecho – George Plimpton, em uma de suas entrevistas para o filme, cita o menor poema da História, cunhado por Ali em palestra a cerca de dois mil formandos de Harvard: “Me. We.”

Como não poderia deixar de ser, a película também revela a faceta política do grande boxeador. Muhammad era defensor ardoroso do direito a liberdades civis e dava exemplo, pois obteve sucesso sem precisar se submeter aos valores brancos da sociedade americana dos 60 e 70. Muhammad Ali não tinha medo de dizer nada publicamente. Tornou-se um anti-herói americano quando disse não à convocação do exército para lutar na Guerra do Vietnã, ato valente na época, pois lhe custaram o cinturão de Campeão Mundial e sua licença para lutar. Patriota, na acepção americana da palavra, definitivamente não é sua característica. Muhammad tinha a coragem de declarar à câmera que os Estados Unidos não eram seu verdadeiro lar, mas sim a África. Ali sente o mais absoluto orgulho de sua herança étnica quando está em solo africano. Sua curta experiência no Zaire o encantou a ponto de convencê-lo que o negro africano estava num nível acima do “african-american”. Uma imagem do filme que mostra bem isso é uma onde Ali está no avião para Kinshasa e fica impressionado pelo fato de que toda a tripulação do vôo, inclusive o piloto e co-pilotos, é negra. Em determinado momento da película, o boxeador promete a seus interlocutores que levará tudo de positivo que aprendeu da cultura africana à América, em especial aos jovens afro-americanos.


O mais estarrecedor do filme é, de fato, a luta final. George Foreman era mais jovem, mais forte e mais brutal. Aniquilou seus dois adversários anteriores no segundo assalto. Quando treinava no saco de areia, deixava um buraco, ou melhor, uma depressão nele, devido à força de seus golpes. Ali se recusava a ver George treinando para não se deixar controlar pelo medo. Todos os comentaristas declaravam com toda certeza que Muhammad Ali não tinha a menor chance. Aliás, “Quando éramos Reis” tem uma grande qualidade. Até o momento da luta começar, o filme alterna entre entrevistas e os shows de música. Ambas provêm a sensação de pura energia e de antecipação ao espectador. As entrevistas porque, em sua maioria, mostra alguém argumentando a impossibilidade de George perder a luta. Ali era o único que acreditava em sua vitória. E a música! Simplesmente maravilhosa! A visão de B.B. King tocando sua guitarra enlouquecidamente e a de James Brown dançando e cantando deixam o espectador energizado, quase pulando da cadeira, cheio de expectativa para ver a luta, mesmo já sabendo o resultado final.

A luta em si é uma aula de boxe. É a prova cabal de como a inteligência e experiência do atleta são mais importantes do que todo o vigor físico do mundo. Do soar inicial do gongo até sua queda, Foreman esteve sempre sob o controle de Ali. Durante a luta, Muhammad se deixava encurralar sobre as cordas e constantemente “conversava” com George. Provavelmente como uma tática de desmoralização, fico imaginando Ali gritando no ouvido de seu adversário: “Você não é de nada! Todo mundo falava que você era forte, mas eu não tô sentindo nem cócegas! Bate de verdade, George!” Aí, quando George cansou de tanto bater sem nenhuma eficiência, Muhammad Ali deu uma reviravolta e nocauteou George Foreman fantasticamente. O legal dessa parte do filme é que a câmera mostra a expressão de surpresa e admiração dos fãs, jornalistas e comentaristas ao redor do ringue no momento da queda, como se tivessem acabado de testemunhar um milagre. Bem mais emocionante do que assistir qualquer filme ficcional de boxe, “Rocky” inclusive.

A minha única objeção ao filme nunca poderia ter sido remediada, pois teria sido impossível colocá-la em prática. Eu queria ter visto como era Muhammad Ali longe das câmeras. Quando a câmara ligava, parece-me que algo dentro de Ali também ligava. Todas as provocações, as rimas, os ditos arrogantes, o ego gigantesco, a autoconfiança inabalável eram certamente apenas uma persona, uma faceta de Ali, como se fosse parte de seu trabalho. Pelo menos, temos um vislumbre do Muhammad privado no papel criado por Will Smith, em “ALI”, dirigido por Michael Mann, também um filme altamente recomendado.

Depois que você assiste “Quando éramos reis”, é até covardia comparar Muhammad Ali com os atletas de hoje, que mal sabem se expressar. É triste perceber como a ignorância, a máscara e a ganância imperam no mundo dos esportes do século XXI. A era de Ali no boxe; de Larry Bird e Magic Johnson no basquete; de Zico, Sócrates e Falcão no futebol infelizmente acabou.

Menção: O

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domingo, 7 de agosto de 2011

SIDEWAYS

Year: 2004
Director: Alexander Payne
Screenwriters: Alexander Payne and Jim Taylor


Main Cast:

Paul Giamatti – Miles

Thomas Haden Church – Jack

Virginia Madsen – Maya

Sandra Oh – Stephanie


Imagine you are a screenwriter. You say to yourself: “I want to write a story about real people doing what real people usually do.” It sounds simple enough. One would say: “You just have to observe life and put it on paper. Right?” Wrong. Nothing could be further from the truth. Creating and developing real characters and make the story interesting and exciting is one of the hardest tasks a writer could set itself. Alexander Payne and Jim Taylor did it successfully.

Of course, another very important reason the movie did so well was that the cast fleshed the characters out beautifully, led by the fantastic Paul Giamatti. At first, it seems he is just portraying another loser, something he is very good at. However, if you really pay attention, it’s impossible to put a label on his Miles, simply because he’s a human being. Giamatti is not playing Miles, he became Miles. It’s almost as if he was temporarily possessed by another soul.

First and foremost, Miles is a depressed character. He thinks he’s had a bad run for a long time, since his wife left him. His long, intricate, apparently unreadable novel still hasn’t grabbed his publishers’ attention. He feels lonely and unappreciated. Even with all these justifications, I don’t understand his melancholy. After all, his editor still has faith on him – she’s waiting for him to complete his novel; he has his best friend, Jack, who is irresponsible and an incurable liar, but a lifelong, loyal friend nevertheless. He has a steady job as lit teacher, which is not so bad as working inside an office. I mean little things as well, like passing by a coffee shop for a cappuccino and a spinach croissant in the middle of the day. Man, I love doing that.


There is more: on the top of everything, he meets this beautiful and intelligent woman (Maya), who gives him all the opportunities in the world to win her over. And, tentatively and awkwardly, he does it! He does this incredibly moving monologue (she’s in the same room listening to him) about why he loves Pinot Noir above all other grapes and, in the end, she’s all melted. So, why does keep whining about not having done anything with his life? What does it even mean, “do something with your life”? Leaving something behind so that future generations will remember you? Is that it? If so, why is it so important to matter to the world when you are already dead? Why not just enjoy life as it comes and when you’re dead, you’re dead? Perhaps when I’m old I will understand.

Oh, I forgot to mention, the film is funny as hell, especially towards the end. Most laughs come from the interaction between the opposites – Miles and Jack. Thomas Haden Church does something with his character that many lesser comedic actors wouldn’t or couldn’t. He adds vulnerability to Jack. Sure, he is a lying, inconsequential male slut, but we root for him anyway. He has a sort of childish innocence and naiveté that makes you forgive him. Also, unlike Miles, he is always trying to see the positive side in any situation, even if it means suggesting that his best friend could kill himself to become successful, though yet unpublished, just because it happened to the author of “A Confederacy of Dunces”.

As a final note, I have to mention the lesson Jack inadvertently teaches all womanizers: do your best not to lie to a girl when you are trying to get her in the sack. You might end up wanting more than just a one-night-stand. But then, you’ve already told her unforgiving lies about yourself, which she will eventually find out about. After that, you’re fucked.

Grade: O

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

OBRIGADO POR FUMAR (THANK YOU FOR SMOKING)

Ano de Produção: 2005
Diretor: Jason Reitman
Roteirista: Jason Reitman
Atores Principais:

Aaron Eckhart – Nick Naylor
Cameron Bright – Joey Naylor
J.K. Simmons – BR
Maria Bello – Polly Bailey
David Koechner – Bobby Jay Bliss
William H. Macy – Senator Finistirre
Katie Holmes – Heather Holloway
Sam Elliott – Marlboro Man
Robert Duvall – Captain

O filme trata essencialmente de uma questão, a meu ver, pouco discutida ultimamente: a habilidade de argumentação como instrumento de poder. Todo mundo fala do poder da informação, mas do que adianta ter informação privilegiada e não saber como usá-la? Nick Naylor é um expert em transformar simples dados da realidade em argumentos infalíveis. Certo e Errado, Moral e Imoral não têm lugar no seu processo criativo. Afinal, esse talento, como o próprio personagem diz em determinado momento, “paga a hipoteca”.
É a partir daí que vem a graça do filme. Ambientalistas, militantes, o Senador (principal antagonista), todos eventualmente ficam paralisados diante da eloqüência e da absoluta cara-de-pau de Nick, o lobista principal das grandes companhias de cigarro. Uma cena bem ilustrativa é logo a primeira: Nick é convidado a um programa de televisão para debater os males do fumo na população adolescente. Seus adversários são: mães militantes contra o fumo na adolescência, um representante do Senador e, conforme o que diz a plaquinha de identificação a sua frente, “Cancer Boy”, todo frágil e careca. O show começa e a platéia é tão hostil que uma das mulheres cospe em direção a Nick. No final, depois de um discurso brilhante, cuja eficiência deixa o representante do senador sem palavras, Cancer Boy já está apertando sua mão com um largo sorriso e a platéia está aplaudindo, cheia de admiração.

Só que tem um porém. O filho de Nick, Joey. Aparentemente, pai e filho têm uma relação espetacular. Apesar de morar com a mãe e seu padrasto, Joey adora o pai e vice-versa. Ambos fazem o típico do pai e filho no fim de semana e, além disso, Joey freqüentemente acompanha Nick em suas viagens de negócio. No entanto, como resultado dessa convivência e da observação de seu pai em serviço, sua moral está ficando gradativamente mais flexível.

Nick sabe disso, mas somente age nesse sentido depois de sofrer um hilário atentado contra a sua vida. O protagonista finalmente decide dar o exemplo a Joey e inclui um pouquinho do moralmente correto em seus atos. Muitos críticos meteram o pau nesse aspecto do filme, mas admito que não me incomodou muito. Pensando bem, eu concordo com o Nick depois de sua reviravolta. Ele pode muito bem usar seus talentos retóricos em favor de outras organizações menos “assassinas”.

Escolhi usar aspas acima, porque, apesar de considerar as multinacionais do cigarro um apêndice purulento do capitalismo (e as de fast-food também), os maiores responsáveis pelas mortes causadas pelo cigarro de nicotina são, acima de tudo, os usuários. Estamos acostumados demais a retirar a carga de responsabilidade sobre os nossos atos. Quem obriga o fumante a ir à padaria comprar um maço? Propaganda? Será mesmo? Pessoalmente, acho que o cigarro ainda prospera porque, ás vezes, é foda lidar com o livre arbítrio.
P.S.: Àqueles que nunca viram ou que desejam rever o filme, chamo atenção especial aos encontros dos “Mercadores da Morte”. Os três atores dão uma aula de timing cômico.

Menção: O

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CONTRA O TEMPO (SOURCE CODE)

Diretor: Duncan Jones
Ano de Produção: 2011
Roteirista: Ben Ripley

Atores Principais:
Jake Gyllenhaal – Colter Stevens
Michelle Monaghan – Christina
Vera Farmiga – Goodwin
Jeffrey Wright – Dr. Rutledge
Michael Arden – Derek Frost


(CONTÉM SPOILER)
No decorrer do filme, diversas perguntas me vieram à mente: é crível um personagem ter motivação e energia o suficiente para interferir na realidade e salvar algumas centenas de pessoas, (spoiler) quando ele sabe que está morto? Afinal, por mais que ele cumpra a sua missão e salve vidas, ele não estará vivo para se beneficiar disso. O que me leva a outro questionamento: Pessoas comuns são capazes de praticar atos totalmente altruístas? E, afinal, como deve ser a sensação consciente do estado de morte?

Esse é o ponto forte do filme. Sua natureza filosófica levanta dúvidas, questionamentos e, por isso, enquadra-se na categoria dos raros filmes que geram discussão.

O roteiro é bem concatenado até certo ponto e mantém a atenção de qualquer espectador em alerta até o fim. O fio da meada dificilmente é perdido entre as idas e vindas do protagonista, de sua cápsula ao trem e vice-versa, e estas são coordenadas de maneira eletrizante. O elemento de suspense no filme é muito bem utilizado.

No entanto, infelizmente, a história tem furos. Para aqueles fãs de cinema como eu, há furos e FUROS. Há aqueles que lapsos ínfimos, desprezíveis, que você dá um desconto porque imagina que foi falta de atenção dos realizadores ou, mesmo que intencional, a falha pode ser justificada com a famosa “licença poética”.

Por outro lado, o FURO subverte toda a lógica interna do universo do filme para satisfazer a necessidade imbecil hollywoodiana por um final feliz, cuja pieguice é irritante nesse filme. Além da quebra de lógica, o tom do filme é destruído, ou melhor, aniquilado no seu desfecho. 90% do filme pertence ao gênero ficção científica da melhor qualidade – sério, adulto - porém os seus últimos 10% desabam para um clima de auto-ajuda-fake-zen-feel-good-bullshit.

Esperava mais do diretor do excelente “Lunar”, o Sr. Duncan Jones, a.k.a. Zowie Bowie, filho de David Bowie. Para fazer justiça a ele, para todos os efeitos ainda um iniciante, dividirei a minha menção em duas.

Menção até os 80’: O
Menção para os 10’ finais: U


Link no imdb.

sábado, 30 de julho de 2011

CONAN, O BÁRBARO (CONAN, THE BARBARIAN)

Diretor: John Milius
Ano de Produção: 1982

Roteiristas: John Milius e Oliver Stone

Atores Principais:
Arnold Schwarzenegger – Conan
James Earl Jones – Thulsa Doom
Max von Sydow – King Osric
Sandahl Bergman - Valeria
Gerry Lopez – Subotai
Mako – Wizard/Narrator


Conan, o Bárbaro. O título se impõe por si só. 130 minutos de batalha encarniçada, bruxaria, ambição e vingança.

Dada a época em que o filme foi rodado, jovens espectadores do século XXI podem se sentir um pouco entediados com a sua longa duração, principalmente porque a ação não é ininterrupta. Ao contrário, diversas cenas “paradas” não foram cortadas na sala de edição, porque servem o mero propósito de apresentar as motivações e os conflitos dos personagens, criar atmosfera, enriquecer os aspectos secundários da história, ou seja, tudo o que os diretores de “filmes de ação” desprezam hoje em dia. Mesmo que interpretado por nada mais nada menos que o “Mr. Governator”, pode-se dizer que o seu lacônico Conan, cujas falas, se postas em seqüência cobrem, no máximo, uma lauda, é um personagem mais autêntico e complexo do que aquele babaca do Shia LaBeouf do Transformers, por exemplo. No final, quando Conan já cumpriu sua missão, sabemos exatamente como e porque ele chegou ali e a sensação é de satisfação, pois torcemos pelo bárbaro, nos preocupamos com ele durante toda a película. Lógico, o Cimério é de carne e osso.

Enumero outros pontos fortes: o roteiro enxuto e muitas vezes literário. O narrador, de fato, é essencial ao filme, uma vez que o engrandece com linguagem poética e um tom épico. O vilão é espetacular. Mr. Earl Jones traz gravitas e elegância a um papel que, na posse de alguém menos habilidoso, certamente cairia no ridículo. Alem disso, graças à qualidade do roteiro, o seu monstro é um manipulador inteligente e corrompido pelo poder sobre o outro. Demasiado humano. Há líderes religiosos semelhantes a ele por aí.

O final é catártico e extremamente apropriado à história de um bárbaro. Não vibrar e ficar indiferente ao destino final de Conan e o seu rival, Thulsa Doom, é tarefa impossível. Surpreendentemente, o embate entre ambos acontece mais no plano mental do que o físico.

O que me leva a um ponto fraco: Thulsa Doom. Que porra de nome é esse?? Sem comentários. Se não fosse James Earl Jones...

(Spoiler): Uma cena pavorosa é Valéria voltando do mundo dos mortos para ajudar Conan a trucidar um dos responsáveis pela morte de seu pai. Vestindo uma roupa prateada, meio garota do Fantástico anos 80, ela reitera a sua pergunta recorrente ao Bárbaro: “Do you want to live forever?”

O que te faz pensar: será que é possível manter a admiração pelo filme depois dessa cena? Com certo esforço, eu consegui.

Menção: O


Link no imdb.