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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

HOMEM-ARANHA 3 (SPIDER-MAN 3)

Ano de Produção: 2007
Diretor: Sam Raimi
Roteiristas: Sam Raimi, Ivan Raimi e Alvin Sargent

Atores Principais:

Tobey Maguire – Peter Parker/Spider-Man
Kirsten Dunst – Mary Jane Watson
James Franco – Harry Osborne/New Goblin
Thomas Haden Church – Flint Marko/Sandman
Topher Grace – Eddie Brock/Venom
Bryce Dallas Howard – Gwen Stacy
Rosemary Harris – May Parker
J.K. Simmons – J. Jonah Jameson
James Cromwell – Captain Stacy
Dylan Baker – Dr. Curt Connors
Bill Nunn – Robbie Robertson
Elizabeth Banks – Miss Brant

Quatro anos depois de seu lançamento, fica claro o equívoco chamado “Homem-Aranha 3”. Sam Raimi nunca deveria se meter num gênero que lhe é pouco familiar. Mesmo após o fracasso estrondoso do romance “Por Amor”, uma excrescência que contribuiu para o completo declínio da deplorável carreira de Kevin Costner, Sam Raimi insistiu mais uma vez em sair do gênero horror e, previsivelmente, não foi bem sucedido. Os dois primeiros exemplares da trilogia Spider-Man não são uma total porcaria, mas ficaram muito aquém das expectativas. O terceiro é um desastre de proporções pantagruélicas.

O primeiro e mais grave erro está presente em todos os três: o elemento cômico é quase inexistente. Parece que não leram os quadrinhos direito. Quando criança, fazia coleção dos quadrinhos, especialmente a “Teia do Aranha”, uma reedição das histórias clássicas do herói. Pelo que eu me lembre, eu adorava o Homem-Aranha porque ele era um brincalhão, um gozador que não se levava a sério e espancava seus rivais sacaneando com a cara deles. Nos filmes, tudo é muito dramático, trágico e solene. O sofrimento pela perda do tio Ben e a subseqüente motivação para se tornar um super-herói é totalmente justificável no primeiro capítulo da trilogia. Afinal, vem da revista a popular frase “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. No entanto, em “Homem-Aranha 3”, Peter Parker é forçado a reviver a mesma tragédia, pois resolveram mudar a identidade do assassino do tio Ben para o Homem-Areia. Decidiram por essa medida para ampliar a intensidade do conflito entre herói e vilão e prover uma base mais sólida para sua eventual rivalidade. Tudo bem, concordo que qualquer batalha entre o bem e o mal fica mais interessante quando está bem motivada, mas não podia ser outro o motivo? Os roteiristas certamente poderiam ter sido mais criativos. Ficou muito conveniente, muito fácil e o pior, muito dramático. Porra, chega de drama! Ainda por cima, Flint Marko (o Homem-Areia) tornou-se um criminoso para conseguir dinheiro para tratar da filha doente! O resultado é Parker e Marko chorando por qualquer coisinha durante todo o filme! Que chato! Entediante! Banal!

O segundo erro: casting. Melhor dizendo, MIScasting. Tobey Maguire tem cara de bobo. Ele é meio paspalho, boca aberta, quase burro. O ator criou um Homem-Aranha infantil e irritantemente ingênuo. Nesse filme, ele nos presenteou com a sua versão do Emo-Aranha quando está dominado pelo seu lado negro, o qual foi libertado pelo uniforme alienígena. E quem teve a idéia ridícula da franjinha? O cara devia levar um tiro. Pior casting foi o de Topher Grace como Venom. Quem leu os quadrinhos sabe que Eddie Brock era um jornalista obsessivo e inescrupuloso, rival de Peter Parker, e halterofilista nas horas vagas. Em outras palavras, o cara era grande e escroto pra caralho. Quando o uniforme se acopla a Eddie e ele se transforma em Venom, o resultado é simplesmente um demônio assassino. No filme, Topher Grace, coitado, é outro paspalho e chorão, além de ser baixote e magrinho. Nem os dentes pontudos o ajudam a transmitir medo. O seu pouco tempo na tela também não contribuem para a efetividade de seu personagem. Depois de sua transformação, a única coisa dá tempo para fazer é seguir à luta final contra o Aranha.

Esse é outro problema. Há um excesso de personagens, principalmente de vilões. Por que Sam Raimi fez questão de usar três super-vilões? Só porque o filme é o terceiro da trilogia? Tenho certeza que todos os fãs sonhavam com a possibilidade de finalmente ver a encarnação de Venom no cinema. Ele merecia ter sido o único vilão. Lógico, retratado por outro ator. Se o Homem-Aranha de uniforme azul e vermelho é o Dr. Jekyll e ele de uniforme preto é o Mr. Hyde, Venom é o Mr. Hyde on steroids. É um personagem sombrio, proveniente de histórias de horror, que daria muito pano pra manga nas mãos certas. O monstro não combina com o colorido kitsch, típico dos anos sessenta, personificado pelo Homem-Areia. Poderíamos ficar sem ele tranquilamente, apesar de ter ficado muito bem feito visualmente. Inclusive, na revista, o Homem-Areia costumava trabalhar junto com o Homem-Hídrico. Nada mais contrastante com o aspecto gótico e moderno, inerente ao Venom. Um erro crasso deveras. Por falta de conhecimento, os roteiristas misturaram um vilão do Homem-Aranha para crianças com um do Homem-Aranha para jovens e adultos. Situação análoga seria uma comédia estrelando Jerry Lewis e Daniel Day-Lewis. Venom teria sido perfeito se esse filme tivesse sido dirigido por Christopher Nolan, no estilo “Dark Knight”.

O roteiro de “Homem-aranha 3” é claramente um caos. Dá para perceber que era constantemente reescrito até o fim das filmagens. Mary Jane vira cantora e passa por um conflito chatíssimo, no qual me nego a entrar em detalhes. Resumidamente, o seu namoro com Parker entra em crise porque ela quer mais atenção e menos Homem-Aranha combatendo o crime. Qual espectador prefere ver Peter Parker e MJ tendo uma DR ao invés de Spider-Man chutando traseiros? O personagem de Kirsten Dunst acaba se transformando num incômodo obstáculo para ação. E para completar a sua decadência, ela é DE NOVO usada como isca pelos vilões para atrair Spidey à batalha final, igualzinho aos dois filmes anteriores. O incrível é que todos os vilões da trilogia sabem que Peter Parker é o Homem-Aranha, mas nenhum deles revela seu segredo. A imprensa nunca fica sabendo.

Por último, Mary Jane canta e Peter Parker dança, ou seja, Sam Raimi quis incorporar o gênero musical em “Homem-Aranha 3”. Por que alguém não demitiu Raimi nessa hora? É claro, lógico, óbvio que não ia dar certo. Broadway + Homem-Aranha = Catástrofe. A cena em que Tobey Maguire, no auge do seu Mr. Hyde emotional, dança na rua até a boate onde MJ canta é historicamente vergonhosa. As duas boas cenas de luta do filme – ambas coincidentemente contra o novo Duende – perdem totalmente o seu impacto por conta dos números musicais.

A esperança é a de que o reboot que vem por aí mude a franquia completamente de direção e tenda para um lado mais cômico, mais leve, sem dramalhão. Ou, se é para ser dramático, faça como o novo guru dos filmes de super-herói, Christopher Nolan, fez em “O Cavaleiro das Trevas”. Quando os grandes estúdios vão entender que não há necessidade nenhuma de se imbecilizar um filme, mesmo que seja para agradar as crianças? Tenho certeza que pessoas de todas as idades adoram a sua versão do Homem-Morcego.

Ainda bem que você voltou ao gênero terror com “Arraste-me para o Inferno”, Sam Raimi! Continue assim!

Menção: U

Link no imdb.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

OBRIGADO POR FUMAR (THANK YOU FOR SMOKING)

Ano de Produção: 2005
Diretor: Jason Reitman
Roteirista: Jason Reitman
Atores Principais:

Aaron Eckhart – Nick Naylor
Cameron Bright – Joey Naylor
J.K. Simmons – BR
Maria Bello – Polly Bailey
David Koechner – Bobby Jay Bliss
William H. Macy – Senator Finistirre
Katie Holmes – Heather Holloway
Sam Elliott – Marlboro Man
Robert Duvall – Captain

O filme trata essencialmente de uma questão, a meu ver, pouco discutida ultimamente: a habilidade de argumentação como instrumento de poder. Todo mundo fala do poder da informação, mas do que adianta ter informação privilegiada e não saber como usá-la? Nick Naylor é um expert em transformar simples dados da realidade em argumentos infalíveis. Certo e Errado, Moral e Imoral não têm lugar no seu processo criativo. Afinal, esse talento, como o próprio personagem diz em determinado momento, “paga a hipoteca”.
É a partir daí que vem a graça do filme. Ambientalistas, militantes, o Senador (principal antagonista), todos eventualmente ficam paralisados diante da eloqüência e da absoluta cara-de-pau de Nick, o lobista principal das grandes companhias de cigarro. Uma cena bem ilustrativa é logo a primeira: Nick é convidado a um programa de televisão para debater os males do fumo na população adolescente. Seus adversários são: mães militantes contra o fumo na adolescência, um representante do Senador e, conforme o que diz a plaquinha de identificação a sua frente, “Cancer Boy”, todo frágil e careca. O show começa e a platéia é tão hostil que uma das mulheres cospe em direção a Nick. No final, depois de um discurso brilhante, cuja eficiência deixa o representante do senador sem palavras, Cancer Boy já está apertando sua mão com um largo sorriso e a platéia está aplaudindo, cheia de admiração.

Só que tem um porém. O filho de Nick, Joey. Aparentemente, pai e filho têm uma relação espetacular. Apesar de morar com a mãe e seu padrasto, Joey adora o pai e vice-versa. Ambos fazem o típico do pai e filho no fim de semana e, além disso, Joey freqüentemente acompanha Nick em suas viagens de negócio. No entanto, como resultado dessa convivência e da observação de seu pai em serviço, sua moral está ficando gradativamente mais flexível.

Nick sabe disso, mas somente age nesse sentido depois de sofrer um hilário atentado contra a sua vida. O protagonista finalmente decide dar o exemplo a Joey e inclui um pouquinho do moralmente correto em seus atos. Muitos críticos meteram o pau nesse aspecto do filme, mas admito que não me incomodou muito. Pensando bem, eu concordo com o Nick depois de sua reviravolta. Ele pode muito bem usar seus talentos retóricos em favor de outras organizações menos “assassinas”.

Escolhi usar aspas acima, porque, apesar de considerar as multinacionais do cigarro um apêndice purulento do capitalismo (e as de fast-food também), os maiores responsáveis pelas mortes causadas pelo cigarro de nicotina são, acima de tudo, os usuários. Estamos acostumados demais a retirar a carga de responsabilidade sobre os nossos atos. Quem obriga o fumante a ir à padaria comprar um maço? Propaganda? Será mesmo? Pessoalmente, acho que o cigarro ainda prospera porque, ás vezes, é foda lidar com o livre arbítrio.
P.S.: Àqueles que nunca viram ou que desejam rever o filme, chamo atenção especial aos encontros dos “Mercadores da Morte”. Os três atores dão uma aula de timing cômico.

Menção: O

Link no imdb.