Mostrando postagens com marcador 1999. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1999. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O COLECIONADOR DE OSSOS (THE BONE COLLECTOR)

Ano de Produção: 1999
Diretor: Phillip Noyce

Roteirista: Jeremy Iacone


Atores Principais:

Denzel Washington – Lincoln Rhyme

Angelina Jolie – Amelia Donaghy

Ed O’Neill – Paulie Sellitto

Michael Rooker – Howard Cheney

Queen Latifah – Thelma

Leland Orser – Richard Thompson

Luis Guzmán – Eddie Ortiz


CONTÉM SPOILERS
Infelizmente, o filme é um mero derivado de “Seven”. Vários de seus elementos marcantes são reutilizados aqui, como a atmosfera urbana e lúgubre; um serial killer cruel, que gosta de deixar pistas para a polícia; uma dupla de policiais – um branco e um negro, um iniciante e emotivo, o outro cerebral e experiente – e um final muito semelhante, pois transforma o duo protagonista em perseguidos ao invés de perseguidores.

Final semelhante, porém muito inferior. Ao contrário de “Seven”, que nos apresenta um dos maiores vilões da história do cinema, o assassino de “O Colecionador de Ossos” é patético. Ele fala demais, explica demais. Quando finalmente revelado, ele dá uma palestra objetiva a respeito de todas as razões pelas quais ele se tornou um serial killer e porque ele escolheu Lincoln Rhyme como sua vítima final. E o pior, não convence ninguém. Seus motivos são mesquinhos, pequenos e não explicam porque ele decidiu matar tanta gente. É um perfeito anticlímax. Denzel quase consegue salvar a cena. Seu personagem é tetraplégico; portanto, seus movimentos se limitam à cabeça, ombros e o dedo médio de uma das mãos. Apesar de todas essas restrições, Denzel é tão Chuck Norris, que vence o vilão na porrada, acreditem se quiser. Kevin Spacey, em “Seven”, também faz um discurso, o que não faz de seu personagem menos ameaçador. O oposto acontece. Depois que descobrimos suas motivações, ficamos ainda mais impressionados e, alguns de nós, mais aterrorizados.

A segunda diferença entre “O Colecionador” e “Seven” é o fato de que Brad Pitt é agora interpretado por sua atual mulher, Angelina Jolie. Ela convence no papel do tira iniciante, mas seu personagem também é cópia de outro muito superior, a Clarice Starling de Jodie Foster, em “O Silêncio dos Inocentes”. Tal como sua antecessora, Angelina projeta coragem e, ao mesmo tempo, vulnerabilidade em situações de grande perigo. Ambas, a partir da captura de um psicopata assassino, passam pelo mesmo rito de passagem – de aluna aspirante, passam ao status de detetive profissional. E, similarmente, é possível detectar tensão sexual entre elas e seus respectivos mentores, porém de forma um pouco mais evidente em “O Colecionador”.

Percebe-se que originalidade não é o forte desse filme. Na verdade, a tensão sexual entre Angelina e Denzel, mencionada acima, é o único ponto de que eu realmente gostei. Como o dedo médio de Denzel é uma das poucas partes de seu corpo sensíveis ao toque, Angelina o acaricia intensamente em duas ocasiões. Achei corajoso da parte do diretor manter esse aspecto erótico presente na película. Os dois atores compartilham boa química na tela, talvez até reflexo de uma na vida real. Grande Denzel, ma man.

Preciso ressaltar só mais uma coisa, a respeito do chefe de polícia, interpretado por Michael Rooker. Que personagem chato e unidimensional! Ele é incrivelmente incompetente, ninguém sabe como ele chegou ao cargo de chefia. Howard Cheney só tem duas utilidades: obstruir as investigações da dupla e enganar o espectador quanto à possibilidade de ele ser o assassino. O diretor de casting do filme deve ter pensado: “hmmm, Michael dá um bom red herring, porque já fez vários psicopatas, sendo o mais famoso o Henry de ‘O Retrato de um Assassino’”.

Corrijo minha primeira asserção: “O Colecionador de Ossos” é um mero derivado de vários filmes de serial killer.

Menção: FR

Link no imdb.

sábado, 30 de julho de 2011

HERÓIS MUITO LOUCOS (MYSTERY MEN)

Diretor: Kinka Usher
Ano de Produção: 1999

Roteirista: Neil Cuthbert

Atores Principais:

Ben Stiller – Mr. Furious
William H. Macy – The Shoveler
Hank Azaria – The Blue Raja
Janeane Garofalo - The Bowler
Greg Kinnear – Captain Amazing
Geoffrey Rush – Casanova Frankenstein
Eddie Izzard – Tony P



A escolha do primeiro filme a ser criticado nesse blog não poderia ter sido mais aleatória. “Heróis Muito Loucos” está longe de ser um dos meus filmes favoritos, ou mesmo um dos meus filmes menos favoritos. Simplesmente, foi o filme que eu baixei ontem.

É uma bagunça total. Sua irregularidade é enervante. Alguns exemplos genuinamente engraçados vêm de diferentes tipos de humor. Há cenas de sátira inteligente como aquela em que o Ben Stiller ridiculariza o Eddie Izzard porque o seu super poder como vilão é simplesmente uma arma de fogo – na verdade, com muita boa vontade, o filme pode ser visto como uma denúncia ao porte de armas. Comédia pastelão estilo três patetas também tem o seu lugar – Stiller tenta equilibrar um martelo na cabeça vestindo melancias como sapatos. Até piada de peido entra no filme: um dos “super-heróis” tem o poder de nocautear seus adversários com a pestilência de seus flatos. Por sinal, a cena mais fraca do filme acontece quando um gambá transa com a sua perna à noite de lua cheia, na beira de um penhasco. Bem “romântico”. Horroroso define melhor.

Em geral, o filme é bobinho. Tem uma aura infantil irritante. Mesmo sendo bem intencionado, o filme peca especialmente porque tem DUAS HORAS de duração! Absurdo um filme como esse ter mais de noventa minutos. Esse tipo de “spoof” deve obrigatoriamente ser sintético, conciso para prender a atenção do espectador até o fim. Senão, a piada-premissa cansa. Afinal, por quanto tempo é possível rir de gente comum se vestindo de maneira ridícula, tentando ser super-herói?

A cena que vale o seu tempo precioso: a segunda vez que o Stiller fica furioso, em cima da limusine do Casanova. Ele tentando arrancar do capô aqueles objetos de metal que representam a marca do carro, na unha, é imperdível.

Menção: A/M


Link no imdb.