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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SUPERMAN

Ano de Produção: 1978
Diretor: Richard Donner
Roteiristas: Mario Puzo, Leslie Newman, David Newman e Robert Benton

Atores Principais:

Christopher Reeve – Clark Kent/Superman
Margot Kidder – Lois Lane
Gene Hackman – Lex Luthor
Marlon Brando – Jor-El
Ned Beatty – Otis
Jackie Cooper – Perry White
Valerie Perrine – Eve Teschmacher
Glenn Ford – Jonathan Kent
Phyllis Thaxter – Ma Kent
Jeff East – Young Clark Kent
Marc McClure – Jimmy Olsen
Terence Stamp – General Zod
Sarah Douglas – Ursa
Jack O’Halloran - Non

“Superman” é o filme mais marcante da minha infância. Não importa quantas vezes passasse na televisão, eu estava lá para conferir de novo, e de novo, e de novo, com a mesma empolgação da primeira vez que o assisti. A película busca construir o mito do bem absoluto, do completo altruísmo e da mais pura inocência, personificado na figura alienígena do Super-Homem. Estamos diante do retrato de uma verdadeira teogonia.

A introdução se enquadra perfeitamente na definição do “espetacular”. O filme começa mostrando o ocaso do planeta Krypton, previsto por Jor-El (Brando), pai do Homem de Aço, e o subseqüente envio de Kal-El, ainda bêbê, à Terra. Tendo em vista que “Superman” foi realizado em 1978, há de se admirar o desenho de produção de Krypton. Todo branco, girando em torno de um sol vermelho como um gigante cristal, opaco e sólido, o planeta natal do Super-Homem é uma obra de arte em termos de cenário. E tem Marlon Brando. Mesmo lendo suas falas na fralda de seu “filho”, o ator complementa o cenário com sua presença régia e termina por prover a aura mitológica necessária ao registro do nascimento de um deus.

Quando aterrissa na Terra, após atravessar anos-luz de espaço sideral, o garoto Kal-El é acolhido pelos Kents, os quais assumem o papel de seus pais. Com dezoito anos e em luto pela perda de seu pai terráqueo, Clark Kent parte em direção ao pólo norte, atendendo a um chamado silencioso de um misterioso cristal verde que encontra enterrado no celeiro. Chegando a seu destino, Kent lança o cristal a milhas de distância no gelo e, assim, surge a Fortaleza da Solidão, sua casa Kryptoniana aqui na Terra. Lá, através de cristais, que funcionam como um grande banco de dados, ele tem a oportunidade de conversar com seu verdadeiro pai pela primeira vez. A partir daí, Clark Kent passa anos recebendo o restante de seu aprendizado para, então, após finalizado o seu último rito de passagem, ele sair de lá voando já adulto, completo, pronto para ser Super-Homem. É interessante notar que não fica muito claro como Superman conseguiu incorporar o bem absolutamente e rejeitar o mal em todas as suas formas e representações. Afinal, ele foi criado aqui na Terra, rodeado de humanos. A única conclusão é a de que sua natureza alienígena falou mais alto que o ambiente ao seu redor, especialmente depois de sua educação final na Fortaleza da Solidão. O Super-Homem não é um herói identificável, falho, vulnerável, como os deuses da mitologia grega. Ele está muito mais próximo da concepção atual de Deus – onipotente (força, velocidade e invulnerabilidade) e onisciente (visão raio-x e super-audição). Ele é na verdade uma figura de inspiração, um símbolo da bondade e da incorruptibilidade.

Características opostas às de seu arquirrival, Lex Luthor. O cara é feio, egocêntrico, cruel, megalomaníaco, mas, apesar de planejar a morte milhões de inocentes, não é um doente psicopata como o Coringa, por exemplo. Lex está longe de ser o anticristo. Ele é só uma caricatura humorística do mal. Suas cenas são sempre engraçadas, muito por conta de seus sidekicks, Otis e Srta. Teschmacher, os quais servem unicamente como alívio cômico. No entanto, é preciso dar mérito ao vilão, pois colocou o Super numa situação onde não era possível salvar Lois Lane. Depois de salvar New Jersey bloqueando uma represa, Super-Homem chega atrasado na Califórnia e encontra Lois morta, soterrada pelo deslizamento provocado por um míssil nuclear, cuja rota de colisão havia sido alterada por Luthor. Agindo literalmente como Deus, Superman faz a Terra girar ao contrário e volta o tempo a fim de poder salvar a mulher que ama. Até hoje, eu sou contrário a essa idéia, que quase estraga o filme. Mesmo sendo um filme de quadrinhos, fazer a Terra girar ao contrário voando em alta velocidade em sua órbita é absurdo, inverossímil e desnecessário. Se o Homem de Aço consegue voar próximo à velocidade da luz, como é que não dá tempo de parar os dois mísseis?

As demais cenas de ação, nas quais o herói utiliza seus poderes, já são suficientes para entreter e maravilhar o espectador. Super-Homem se coloca sobre trilhos rompidos para evitar que um trem venha a descarrilhar; perfura a crosta terrestre e acomoda placas tectônicas a fim de parar um terremoto; salva um bando de crianças num ônibus escolar na Golden Gate prestes a desabar; sustenta um avião sem uma de suas turbinas até o pouso seguro e, claro, há a cena clássica da primeira vez em que o Super entra em ação. Um helicóptero – Lois Lane é um de seus passageiros – perde o controle e fica pendurado no terraço de um arranha-céu. Lois Lane não consegue se segurar no cinto de segurança e entra em queda livre. Clark Kent está saindo do Planeta Diário, tranqüilo e contente. Demora comicamente a notar que sua donzela está em perigo. Quando ele a vê caindo, corre em direção a um lugar escondido, já abrindo a camisa e mostrando o S no peito, e voa em público pela primeira vez, para delírio da galera. Com Lois Lane em um de seus braços e o helicóptero em outro, Superman salva o dia e vira manchete instantaneamente.

É preciso ressaltar que todas essas cenas são incrivelmente bem feitas, especialmente porque foram filmadas há mais de trinta anos. Tenho certeza de que um espectador que assiste o filme pela primeira vez em 2011 ainda é capaz de curtir “Superman”, desde que seja dotado de uma mínima capacidade de relativizar a película em seu contexto na História do Cinema. Além disso, o impacto do filme é incrivelmente ampliado pela inesquecível trilha sonora de John Williams, talvez o seu melhor trabalho. A música se combina perfeitamente ao tema, pois realmente possui em essência uma característica épica, mitológica.

Como curiosidade, Nick Nolte estava cotado para ser o Homem de Aço, mas disse que só aceitaria o papel se Clark Kent/Super-Homem fosse escrito como um personagem literalmente esquizofrênico. E não é que eu concordo com Nick! Clark e Super são tão diferentes que poderiam ser as duas facetas de uma síndrome de dupla personalidade. Como Bill bem disse em “Kill Bill Volume 2”, Clark Kent é um alter ego criado pela imaginação do Super-Homem. “Super-Homem” é quem ele realmente é. Kent representa a perspectiva que o Super-Homem tem do Homem: fraco, desastrado, inseguro. É através dessa identidade artificialmente construída que Super-Homem se relaciona com a humanidade. Quem tem amigos e família é Clark Kent. É ele que se apaixona por Lois Lane. Superman não tem amigos ou namorada. Seus pais já morreram há muito tempo. Ele é uma divindade alienígena, invulnerável e distante do turbilhão de emoções humanas, as quais só a Clark é permitido experimentar. Christopher Reeve fez um trabalho sensacional com Clark Kent, a faceta humana do Super-Homem. Atrevo-me a dizer que é até possível acreditar que as pessoas no filme não percebem que Clark é o Superman de óculos. Reeve muda a voz, postura, corte de cabelo, o jeito de olhar, infantil e ingênuo, ou seja, tudo que o possibilita a criar empatia com os humanos.

Sua perda foi uma verdadeira lástima para todos nós que crescemos assistindo a todos os capítulos da tetralogia Superman várias e várias vezes. E olha que o III e IV são uma bosta total. Apenas a sua presença já valia o ingresso.

Menção: F

Link no imdb.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS (THE DARK KNIGHT)

Ano de Produção: 2008
Diretor: Christopher Nolan
Roteiristas: Christopher Nolan e Jonathan Nolan

Atores Principais:

Christian Bale – Bruce Wayne/Batman
Heath Ledger – Joker
Aaron Ekhart – Harvey “Two-Face” Dent
Maggie Gyllenhaal – Rachel
Gary Oldman – Gordon
Michael Caine – Alfred
Morgan Freeman – Lucius Fox
Nestor Carbonell – Mayor
Eric Roberts – Sal Maroni
Ritchie Coster – Chechen
Monique Gabriela Curnen – Ramirez
Chin Han – Lau
Cillian Murphy – Scarecrow
Anthony Michael Hall – Engel

Dualidade e Caos. Como sempre acontece nos filmes do Batman, os vilões roubam a cena. É redundante afirmar que Heath Ledger fez o melhor Coringa de todos os tempos, sem dúvida. Jack Nicholson fez bonito no primeiro Batman, porém o seu Joker é um desvairado cômico, gordinho e de meia idade. Heath é uma força da natureza, um absoluto, sem nome e sem passado. Em resumo, um agente do caos, como seu próprio personagem declara em certo momento do filme. A dualidade é obviamente representada pelo Duas-Caras, mas também é refletida em diversos aspectos do filme.

O primeiro exemplo revela-se pelo par Dark Kight/White Knight. Enquanto que Batman usa os punhos para administrar justiça, Harvey Dent faz o mesmo trabalho dentro da lei. O próprio Bruce Wayne admira a sua coragem e dá uma festa para arrecadar fundos para financiar o trabalho de investigação da Procuradoria, chefiada pelo futuro Duas-Caras. Bruce sabe que é preciso muito mais coragem quando o combate ao crime organizado é realizado sem máscaras, com seu rosto aparecendo na televisão diariamente. Harvey Dent é o verdadeiro super-herói do filme, pelo menos até a sua transformação. Sem nenhum traço de receio pela sua vida, Dent prende metade de toda a máfia (não só a italiana) de Gotham; claro, com a ajuda de um informante, capturado por Batman. Na famosa cena da caneta desaparecendo, na qual o Coringa oferece aos mafiosos seus serviços para matar Batman, ele aproveita para nos explicar que figuras insanamente corajosas como Harvey Dent são inspiradas pelo sucesso do Homem-Morcego no combate ao crime organizado. Em outras palavras, a partir de um elemento, surge outro oposto e complementar, com o mesmo propósito e, assim, a moeda se completa com suas duas faces.

A segunda e mais interessante dualidade é composta pelo previsível/imprevisível, respectivamente representados pelo Batman e pelo Coringa. A contraposição se dá, portanto, entre o rígido código de princípios do Batman e a completa ausência de regras e limites do Coringa. Ao contrário de Batman, cujas principais regras são proteger os inocentes e não matar os criminosos, o Joker consegue o que quer passando por cima de tudo e de todos. E, como o seu único objetivo é instalar o caos e ver o mundo pegar fogo, não há como entender suas motivações e prever suas ações futuras. É por isso que o Coringa está sempre em vantagem sobre o nosso herói. Sabendo que Batman nunca chegará ao ponto de assassiná-lo, o Coringa se diverte torturando e testando os limites do Homem-Morcego até o ponto em que o último chega à conclusão de que a única maneira de vencê-lo é não cumprir as regras. Inclusive, diante do sentimento de impotência perante o arquirrival, Bruce Wayne até considera a possibilidade de aposentar o seu alter ego.

A cena dos dois na sala de interrogatório é um dos confrontos herói-vilão mais bem escritos da história dos filmes adaptados de quadrinhos. Sinceramente, a gente se diverte junto com o Coringa quando ele estabelece a escolha que o Homem-Morcego deverá fazer – quem ele salvará da morte certa? Rachel, o amor de sua vida, ou seu sucessor no combate ao crime, Harvey Dent? Há outra cena na qual o Coringa utiliza um dilema para instaurar o caos e rebaixar os homens ao seu lado mais animalesco. Dois barcos; um com passageiros comuns, o outro com presos; uma bomba em cada um; cada barco tem o detonador para explodir o outro até meia-noite. Passado o horário, ninguém, nem mesmo os condenados, aperta o botão. A civilização vence o caos dessa vez e ninguém sai ferido. O espírito de cooperação prevalece sobre o individualismo. Será mesmo que se daria o mesmo resultado na vida real? Tenho minhas dúvidas. Enquanto Batman e Coringa caem na porrada na sua luta final, simultaneamente eles travam exatamente essa discussão filosófica: no momento de crise, o Homem recorre à sua capacidade para o bem ou à sua capacidade para o mal?

Harvey Dent é o grande trunfo do Coringa, pois, no final, se deixou levar pelo lado negro da força. É uma cena maravilhosa. Vestido de enfermeira, O Joker está no quarto do hospital onde o Duas-Caras se recupera da tragédia que acabara de acontecer. A sua sombra, representada pela metade deformada de seu rosto, torna-se a personalidade dominante na medida em que o Coringa o manipula e eventualmente o convence de que os verdadeiros responsáveis pela morte de Rachel são o Comissário Gordon e sua equipe corrupta. Ele, o Coringa, foi apenas o agente. A mim, não me convenceu muito. Mesmo que a moeda tenha favorecido o Coringa, eu o teria matado de qualquer forma.

Brilhante a atuação de Ledger quando o Coringa sai do hospital e detona a bomba. Ela demora um pouco para explodir totalmente e, por isso, ele olha para o detonador, dá uma balançada nele, checa a bateria e aí sim a bomba explode. Pronto, o hospital principal de Gotham está destruído, assim como ele havia prometido. Como a cena só poderia ser filmada em um take, a fim de que a explosão fosse genuína e não um efeito digital, Heath não sai do papel, mesmo quando a bomba demora a explodir. Descobri que a checadinha no detonador foi pura improvisação.

Tecnicamente, o filme é quase perfeito. A fotografia, realizada por Wally Pfister, ganhador do Oscar por “A Origem”, é espetacular. É o primeiro filme de ficção no qual são utilizadas câmera IMAX e percebe-se a diferença. As cenas panorâmicas, filmadas de cima dos prédios, são de tirar o fôlego. “O Cavaleiro das Trevas” é definitivamente um daqueles filmes que vale a pena ter uma cópia em bluray. Nessas condições, é até melhor assistir um filme desses em casa do que no cinema. E nem há necessidade de se ter um bluray player, uma vez que cópias em alta definição estão amplamente disponíveis nos sites de download.

Só tenho uma reclamação quanto ao aspecto técnico. As cenas de luta ainda são editadas muito rapidamente. Mal dá pra ver o que acontece. Como o uniforme está mais leve e flexível, as lutas são mais empolgantes do que em “Batman Begins”, mas ainda não estão boas. A dificuldade de movimento que Christian Bale enfrenta toda vez que luta ainda é perceptível. Com alguma atenção, é possível notar que, em alguns momentos, os capangas esperam paradinhos o soco ou o pontapé do Batman chegar para que eles, aí sim, possam se jogar no chão. Esse detalhe pode parecer bobo, mas esse tipo de coisa corrói um pouco a credibilidade de Batman como herói incapaz de perder uma briga. É apenas uma questão de verossimilhança. A expectativa é a de que, no último exemplar da trilogia, o Batman esteja mais ágil ainda e, portanto, mais convincente como porradeiro invencível.

Observação final de nerd: ocorre um erro de roteiro na cena em que o Coringa entra de penetra na festa oferecida a Harvey Dent por Bruce Wayne em sua cobertura. Coringa ameaça matar os convidados, um por um, até que alguém revele a exata localização de Harvey Dent. Ninguém sabe. O Joker toma uma medida drástica e ameaça Rachel com uma faca encostada em sua garganta, na beira de uma janela aberta. Batman chega para salvar o dia e demanda que o Coringa largue a moça ou então... “Poor choice of words!” diz o Coringa e larga a moça janela abaixo. Batman pula desesperado pela janela e consegue salvá-la diminuindo a velocidade da queda de ambos com a sua capa e amortecendo-a com o seu corpo. Rachel está sã e salva. Corta para uma cena completamente diferente, o filme continua e ninguém mais menciona a festa. Ué, e o Coringa lá em cima, na cobertura ainda repleta de reféns prontos para o abate? O que aconteceu? O Batman simplesmente se esqueceu de seus convidados e os deixou lá, à mercê do psicopata mais violento da cidade? Por que Batman não volta a sua cobertura e prende o Coringa? Pode ser que ele voltou de fato e o Joker já tinha conseguido fugir. Mas como se o Batman estava lá embaixo, teoricamente bloqueando a única maneira de o Coringa sair do prédio?

O interessante é que ninguém percebe esse erro de continuidade, pelo menos quando assiste o filme pela primeira vez. São os poderes de uma edição ágil e eficiente. As platéias-teste com certeza não devem ter mencionado nada a esse respeito. E, mesmo a par desse lapso, continuo achando esse filme nada menos do que fantástico.

Menção: F

Link no imdb.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

HOMEM-ARANHA 3 (SPIDER-MAN 3)

Ano de Produção: 2007
Diretor: Sam Raimi
Roteiristas: Sam Raimi, Ivan Raimi e Alvin Sargent

Atores Principais:

Tobey Maguire – Peter Parker/Spider-Man
Kirsten Dunst – Mary Jane Watson
James Franco – Harry Osborne/New Goblin
Thomas Haden Church – Flint Marko/Sandman
Topher Grace – Eddie Brock/Venom
Bryce Dallas Howard – Gwen Stacy
Rosemary Harris – May Parker
J.K. Simmons – J. Jonah Jameson
James Cromwell – Captain Stacy
Dylan Baker – Dr. Curt Connors
Bill Nunn – Robbie Robertson
Elizabeth Banks – Miss Brant

Quatro anos depois de seu lançamento, fica claro o equívoco chamado “Homem-Aranha 3”. Sam Raimi nunca deveria se meter num gênero que lhe é pouco familiar. Mesmo após o fracasso estrondoso do romance “Por Amor”, uma excrescência que contribuiu para o completo declínio da deplorável carreira de Kevin Costner, Sam Raimi insistiu mais uma vez em sair do gênero horror e, previsivelmente, não foi bem sucedido. Os dois primeiros exemplares da trilogia Spider-Man não são uma total porcaria, mas ficaram muito aquém das expectativas. O terceiro é um desastre de proporções pantagruélicas.

O primeiro e mais grave erro está presente em todos os três: o elemento cômico é quase inexistente. Parece que não leram os quadrinhos direito. Quando criança, fazia coleção dos quadrinhos, especialmente a “Teia do Aranha”, uma reedição das histórias clássicas do herói. Pelo que eu me lembre, eu adorava o Homem-Aranha porque ele era um brincalhão, um gozador que não se levava a sério e espancava seus rivais sacaneando com a cara deles. Nos filmes, tudo é muito dramático, trágico e solene. O sofrimento pela perda do tio Ben e a subseqüente motivação para se tornar um super-herói é totalmente justificável no primeiro capítulo da trilogia. Afinal, vem da revista a popular frase “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. No entanto, em “Homem-Aranha 3”, Peter Parker é forçado a reviver a mesma tragédia, pois resolveram mudar a identidade do assassino do tio Ben para o Homem-Areia. Decidiram por essa medida para ampliar a intensidade do conflito entre herói e vilão e prover uma base mais sólida para sua eventual rivalidade. Tudo bem, concordo que qualquer batalha entre o bem e o mal fica mais interessante quando está bem motivada, mas não podia ser outro o motivo? Os roteiristas certamente poderiam ter sido mais criativos. Ficou muito conveniente, muito fácil e o pior, muito dramático. Porra, chega de drama! Ainda por cima, Flint Marko (o Homem-Areia) tornou-se um criminoso para conseguir dinheiro para tratar da filha doente! O resultado é Parker e Marko chorando por qualquer coisinha durante todo o filme! Que chato! Entediante! Banal!

O segundo erro: casting. Melhor dizendo, MIScasting. Tobey Maguire tem cara de bobo. Ele é meio paspalho, boca aberta, quase burro. O ator criou um Homem-Aranha infantil e irritantemente ingênuo. Nesse filme, ele nos presenteou com a sua versão do Emo-Aranha quando está dominado pelo seu lado negro, o qual foi libertado pelo uniforme alienígena. E quem teve a idéia ridícula da franjinha? O cara devia levar um tiro. Pior casting foi o de Topher Grace como Venom. Quem leu os quadrinhos sabe que Eddie Brock era um jornalista obsessivo e inescrupuloso, rival de Peter Parker, e halterofilista nas horas vagas. Em outras palavras, o cara era grande e escroto pra caralho. Quando o uniforme se acopla a Eddie e ele se transforma em Venom, o resultado é simplesmente um demônio assassino. No filme, Topher Grace, coitado, é outro paspalho e chorão, além de ser baixote e magrinho. Nem os dentes pontudos o ajudam a transmitir medo. O seu pouco tempo na tela também não contribuem para a efetividade de seu personagem. Depois de sua transformação, a única coisa dá tempo para fazer é seguir à luta final contra o Aranha.

Esse é outro problema. Há um excesso de personagens, principalmente de vilões. Por que Sam Raimi fez questão de usar três super-vilões? Só porque o filme é o terceiro da trilogia? Tenho certeza que todos os fãs sonhavam com a possibilidade de finalmente ver a encarnação de Venom no cinema. Ele merecia ter sido o único vilão. Lógico, retratado por outro ator. Se o Homem-Aranha de uniforme azul e vermelho é o Dr. Jekyll e ele de uniforme preto é o Mr. Hyde, Venom é o Mr. Hyde on steroids. É um personagem sombrio, proveniente de histórias de horror, que daria muito pano pra manga nas mãos certas. O monstro não combina com o colorido kitsch, típico dos anos sessenta, personificado pelo Homem-Areia. Poderíamos ficar sem ele tranquilamente, apesar de ter ficado muito bem feito visualmente. Inclusive, na revista, o Homem-Areia costumava trabalhar junto com o Homem-Hídrico. Nada mais contrastante com o aspecto gótico e moderno, inerente ao Venom. Um erro crasso deveras. Por falta de conhecimento, os roteiristas misturaram um vilão do Homem-Aranha para crianças com um do Homem-Aranha para jovens e adultos. Situação análoga seria uma comédia estrelando Jerry Lewis e Daniel Day-Lewis. Venom teria sido perfeito se esse filme tivesse sido dirigido por Christopher Nolan, no estilo “Dark Knight”.

O roteiro de “Homem-aranha 3” é claramente um caos. Dá para perceber que era constantemente reescrito até o fim das filmagens. Mary Jane vira cantora e passa por um conflito chatíssimo, no qual me nego a entrar em detalhes. Resumidamente, o seu namoro com Parker entra em crise porque ela quer mais atenção e menos Homem-Aranha combatendo o crime. Qual espectador prefere ver Peter Parker e MJ tendo uma DR ao invés de Spider-Man chutando traseiros? O personagem de Kirsten Dunst acaba se transformando num incômodo obstáculo para ação. E para completar a sua decadência, ela é DE NOVO usada como isca pelos vilões para atrair Spidey à batalha final, igualzinho aos dois filmes anteriores. O incrível é que todos os vilões da trilogia sabem que Peter Parker é o Homem-Aranha, mas nenhum deles revela seu segredo. A imprensa nunca fica sabendo.

Por último, Mary Jane canta e Peter Parker dança, ou seja, Sam Raimi quis incorporar o gênero musical em “Homem-Aranha 3”. Por que alguém não demitiu Raimi nessa hora? É claro, lógico, óbvio que não ia dar certo. Broadway + Homem-Aranha = Catástrofe. A cena em que Tobey Maguire, no auge do seu Mr. Hyde emotional, dança na rua até a boate onde MJ canta é historicamente vergonhosa. As duas boas cenas de luta do filme – ambas coincidentemente contra o novo Duende – perdem totalmente o seu impacto por conta dos números musicais.

A esperança é a de que o reboot que vem por aí mude a franquia completamente de direção e tenda para um lado mais cômico, mais leve, sem dramalhão. Ou, se é para ser dramático, faça como o novo guru dos filmes de super-herói, Christopher Nolan, fez em “O Cavaleiro das Trevas”. Quando os grandes estúdios vão entender que não há necessidade nenhuma de se imbecilizar um filme, mesmo que seja para agradar as crianças? Tenho certeza que pessoas de todas as idades adoram a sua versão do Homem-Morcego.

Ainda bem que você voltou ao gênero terror com “Arraste-me para o Inferno”, Sam Raimi! Continue assim!

Menção: U

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

THOR

Year: 2011
Director: Kenneth Branagh
Screenwriters: Ashley Miller, Zack Stentz and Don Payne

Main Cast:

Chris Hemsworth – Thor
Natalie Portman – Jane Foster
Tom Hiddlestone – Loki
Anthony Hopkins – Odin
Stellan Skarsgard – Erik Selvig
Kat Dennings – Darcy Lewis
Clark Gregg – Agent Coulson
Idris Elba – Heimdall
Colm Feore – King Laufey
Ray Stevenson – Volstagg
Tadanobu Asano – Hogun
Josh Dallas – Fandral
Jamie Alexander – Sif
Rene Russo - Frigga

This film suffers from the same condition most blockbusters do. It is made for an audience as wide as possible. It tries to please adults, teenagers and children, which is a very hard task. There is no other way, it’s a business. Since it must have cost a lot of money, it has got to make at least more than it cost in return. The more people pay for a ticket, the richer the studios get. Very few movies of this magnitude succeeded in being great and highly profitable at the same time. “Thor” is not one of them. “The Rise of the Planet of the Apes” is. Go and check it out at the cinema right now.

What does “The Rise” have that “Thor” doesn’t? An excellent script and good editing. The “Thor” writers even tried to do something cool and, at the same time, faithful to the comics, but ended up having to make various concessions in order to make it appropriate for children. It’s not as bad “Green Lantern”, as it explores much of the magical world of northern mythology, as opposed to the very little screen time that is given to the Green Lantern adventures in space. Asgard and Jotunheim are well depicted. Bifrost, the Rainbow Bridge got particularly very good and it does deserve merit. It must have been pretty difficult to make something so intrinsically kitch into a modern and interesting construct. The CGI imagery is quite beautiful to watch. However, when the visual effects are a film main attraction instead of a plus to the great story that is being unfolded, we’ve got a serious problem.

When the plot takes us to Earth, the film shows its worst weaknesses. Apart from the humor, which is surprisingly effective, there is a feeling of “we were expecting more”. The love interest is only interesting because she is Natalie Portman. Sadly, she doesn’t have much to work with. She and Thor don't share share many moments together. It’s hard to understand the reasons why she fell in love with the god of thunder other than that he is such a hunk. They fall in love in a hurry. Another thing was Thor’s four fighting friends, whose only motivation is to follow him wherever he goes, either to fight along his side in Jotunheim or to rescue him from Earth back to Asgard. They are no more than mere sketches of characters. There is not much time to develop them. And that’s why many super hero movies fail: the excess of characters. It should be a rule of thumb – if there is no time to give a character minimum background and substance, it should not be in the film at all. By the way, whey the four of them reach our planet to find the banished hero, they seem to have come out of a comedy like “Weekend at Bernie’s”. In Portuguese, I nicknamed them “Os Vikings do barulho”. What about Rene Russo’s character, Queen Frigga? Honestly, I think she says two sentences in the entire movie. Why waste such a good actress on such a minor role? I only found out that her name was Frigga when I looked it up at imdb.

Loki is a bit better developed. He is indeed a liar and deceiver like he is supposed to. Loki’s machinations and political maneuvers in order to achieve Thor’s position of power in Asgard resemble Shakespeare’s villainous characters. But, there is another side to him that makes him a bit of a pussy. It is discovered near the end that, more than becoming the King in Thor’s place, he wants to be loved and favored by their father, Odin (Hopkins). Oh, poor thing… Deep down, everything Loki does, he does it because he wants attention from his father. How traumatic it must have been for him to grow up with such a brother to look up to. Come on! What a wuss… That dude doesn’t scare anybody.

The editing was also pretty poor. One scene, in particular, definitely shouldn’t have been cut. Thor is on Earth and has just been rescued by Professor Erik Selvig. He was being held captive by SHIELD because he was caught trying to recover Mjolnir. Selvig and Thor decide to go to a bar then and have a few drinks. Selvig tells him not to hurt Jane Foster’s feelings with fantasies of being a god from another dimension and all. Thor says ok, he means her no harm. That’s it, the scene is cut right to the point Thor is putting him to bed in Jane’s home. Where is all the drinking, the toasting, the laughing out loud, the fighting? Isn’t this film about a barbarian god? Thor doesn’t get drunk. It seems that not being able to get drunk is one of his super powers. That’s disappointing. They must have cut the scene because of the kids. They couldn’t show their super hero drinking. I have to say it’s just fucking ridiculous.

Another thing about the editing. Actually, it’s more concerned to the screenplay. I didn’t really get the fact that the climax is at the beginning of the movie, not at the end. Why was the best action scene placed in the first twenty minutes? The momentum is lost, the rest of the movie goes downhill, of course. If you say that the battles between Thor and the Destroyer and the one between Thor and Loki are more exciting, do me a favor and seek psychiatric help, because you’re crazy. These two scenes are far from measuring up to the early battle scene against the Frost Giants. For me, this is a grave mistake.

Another huge mistake was casting Kat Dennings and not show her biggest attributes, if you know what I mean.

Grade: FR

Link at imdb.