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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ANTES DO PÔR-DO-SOL (BEFORE SUNSET)

Ano de Produção: 2004
Diretor: Richard Linklater
Roteiristas: Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy

Atores Principais:

Ethan Hawke – Jesse
Julie Delpy – Celine

Um belo filme. Mesmo. Sem qualquer traço de sentimentalismo, nenhum vestígio de melodrama. Já vi “Antes do Amanhecer” e “Antes do Pôr-do-Sol” tantas vezes que me atrevo a dizer que conheço Jesse e Celine intimamente. A sinopse desta pequena obra de arte é simples: duas pessoas se reencontram nove anos depois da única noite que passaram juntos e conversam andando pelas ruas de Paris.

Na mesma onda de seu antecessor – a propósito, não recomendo esse filme sem ter assistido “Antes do Amanhecer” – o romance é altamente dialogado. Exatamente uma hora e dezessete minutos de conversa. Acho engraçado que muita gente torce o nariz para esse tipo de filme, mas adora ver malas e vagabas falando besteira 100% do tempo por meses em programas como “Big Brother”. Aqui, estamos longe do baixo nível do reality show. Além de tudo o que Jesse e Celine falam ser muito interessante, tanto no nível intelectual quanto no emocional, há também o que não é dito. Esse componente não expresso do diálogo representa uma camada extremamente importante na interação entre os personagens, pois marca a evolução do envolvimento romântico dos protagonistas.

No momento em que eles se reencontram, há naturalmente uma distância cautelosa entre eles. Jesse está na lendária livraria Shakespeare and Co. dando autógrafos para o lançamento de seu best-seller na França – exatamente sobre a noite que passou com Celine, andando pelas ruas de Viena. Celine está o observando à distância e Jesse discursa a respeito de seu próximo livro exaltadamente. No momento em que ele a percebe próximo a uma das estantes, seu abalo é notável. Quando consegue terminar a entrevista depois de muito gaguejar, Jesse respira fundo e vai até Celine. Apenas trocam oi e olá nervosamente. No começo da caminhada, eles imediatamente se perguntam se compareceram ao encontro marcado seis meses depois daquela noite em Viena. Celine não pôde ir porque sua avó tinha morrido no mesmo dia. Jesse confessa que estava lá, à sua espera. Esse embaraço inicial quebra o gelo de certa forma. Ela está derretida por ele ter cruzado o Atlântico para vê-la, apesar de ter sido obrigado a pedir dinheiro emprestado ao pai, e Jesse está aliviado pela justificativa inescapável do furo de Celine. A linguagem corporal ainda está tímida; Jesse é o único que, de vez em quando, toca-lhe o braço quando faz alguma brincadeira.

Um assunto bem atual no qual eles tocam com alguma profundidade é a dualidade experiência versus resultado. Uma fala específica do Ethan Hawke me chamou muito a atenção: “The fun is in the doing, not in getting what you want.” Complementa dizendo que, embora vivencie uma das maiores aspirações do Homem – sucesso profissional, casamento com uma mulher linda e um filho saudável – ele ainda não achou a felicidade. Tanto é que passou alguns meses num monastério, longe de toda a modernidade tecnológica e consumista. Celine conta que teve uma experiência semelhante quando viveu na Polônia comunista. Depois de duas semanas, não sentia mais falta de televisão ou de fazer compras, pois estava mais em contato consigo mesma. É interessante notar como nós temos a sensação de que vivemos num mundo falso, o qual parece que está sempre tentando nos “proteger” das experiências difíceis, porém significativas, da vida. Precisamos nos afastar dele para descobrir as nossas verdades e sentir a vida num nível mais profundo, além da superficialidade anestésica do consumo e do entretenimento. Uma verdade que ambos desvendaram é mencionada em certo momento: cumprir objetivos não traz felicidade. Quando se atinge uma meta, outra surge imediatamente. Desejos insatisfeitos estarão sempre presentes, por mais poder que você tenha para saciá-los. A busca por resultados, entremeada nas horas vagas pelo torpor trazido pelo prazer imediatista do shopping e do entretenimento, são o grande erro do estilo de vida moderno. As pessoas se esqueceram que as oportunidades de felicidade aparecem durante o processo de conquista e não na conquista em si.

Celine e Jesse fazem gradativamente a transição dos temas gerais – o meio ambiente também é um dos tópicos amplamente discutidos – em direção aos mais pessoais. O assunto “relacionamento” marca essa passagem. A falência do casamento de Jesse e a tepidez do envolvimento de Celine com seu namorado ausente trazem à tona e confirma o que ambos estavam pensando desde que se encontraram: a faísca ainda está lá. Jesse acaba confessando que escreveu seu livro como uma tentativa de encontrá-la. Celine, por sua vez, admite que sua vida amorosa virou de cabeça para baixo depois de ler seu romance. Em nenhum momento eles dizem isso, mas a verdade é que, após uma hora de conversa, eles estão novamente apaixonados um pelo outro, como se o tempo não tivesse passado. Não há necessidade de se dizer nada, o gestual nos conta tudo. São belíssimas as cenas em que Jesse e Celine, em momentos diferentes, enquanto o outro desabafa olhando pela janela do carro, hesitam em tocar-se carinhosamente, mas desistem na última hora. Outro exemplo do não dito se dá no magnífico desfecho do filme. A expressão facial de Jesse quando Celine lhe diz que ele vai perder seu vôo enquanto ela dança ao som de Nina Simone é suficiente para o espectador ter certeza de que ele não sairá daquele sofá nem sob ameaça. Ainda mais porque ela tinha acabado de cantar-lhe uma linda valsa, composta por ela, especialmente para ele.

Muito bonita essa idéia de invocação da presença do outro através da arte, como o aedo invocava a Musa antes de recitar a Ilíada. A arte como um grito de chamamento. Além disso, acho que a materialização de seus sentimentos em livro e música se configura como um dos motivos principais de sua continuidade por tanto tempo. Eles precisavam de algum instrumento para eternizar a memória daquela noite em Viena. Encontraram na arte.

O filme se passa obviamente antes do pôr-do-sol, durante o fim de tarde. A fotografia, portanto, é lindíssima, especialmente no que concerne à luz. Os atores, as ruas, as árvores, tudo está iluminado por uma cor dourada, cuja resplandecência provê ao filme uma qualidade onírica e idílica, apesar de se passar numa das maiores urbes do mundo. De fato, os personagens vivem uma dos nossos maiores sonhos – ter uma segunda chance de retomar uma paixão não consumada.

No entanto, a maior qualidade técnica da película é o seu roteiro, absolutamente sem costuras e artificialismos. A conversa acontece em tempo real, de maneira que o filme poderia ser facilmente um documentário. A gradação presente no diálogo, do menos para o mais íntimo, é perfeita. É impressionante como uma hora e dezessete minutos de filme foram suficientes para desenvolver personagens tão complexos e, por isso, autênticos. Na minha cabeça, Jesse e Celine são reais; existem independentemente de Ethan Hawke e Julie Delpy. Dentre todos na História do Cinema, eles são possivelmente os personagens com os quais eu mais gostaria de ter uma conversa. Sou fã deles.

Menção: F

Link no imdb.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

SURVIVE STYLE 5+

Year: 2004
Director: Gen Sekiguchi
Screenwriter: Taku Tada

Main Cast:

Tadanobu Asano – Aman
Reika Hashimoto – Aman’s wife
Kyoko Koizumi – Yoko
Hiroshi Abe – Aoyama
Ittoku Kishibe – Tatsuya Kobayashi
Yumi Aso – Misa, Kobayashi’s wife
Kanji Tsuda – Tsuda
Yoshiyuki Morishita – Morishita
Jai West – J
Yoshiyoshi Yarakawa – Killer’s Translator
Vinnie Jones – Hired Killer
Sonny Chiba – Kasama

Hands down, this is one of the worst movies I’ve seen in the last few years. It’s difficult to even begin to describe its vileness. I know I’m not supposed to write summaries, but, in order to be fair, this time, I have to. Understandably, very few people have seen this abominable piece of shit.

The story has five facets, represented by five sets of protagonists: 1 – Aman, who kills his “wife” over and over again, but she always comes back in a different costume. They live in an ultra colorful house, saturated with disconnectedly random objects. She cooks him loads of food, but then, for no apparent reason, they start fighting and she ends up dead. After he buries her, she comes back to haunt him. Apart from the cooking, which happens only once more, at Christmas night, this cycle is repeated several times. Why? There is no possible answer. Why do they love each other again in the end? Again, zero reasons. There is very little dialogue, and when there is, it’s meaningless.

2 – Aoyama, a showy, flashy hypnotist. He is a typically Japanese television host – noisy and unfunny. He gets killed by Vinnie Jones, who had been hired by a girl he had, not very successfully, fucked, 3 – Yoko, a copywriter who comes up with a few good ideas for commercials. The movie enacts some of them for us in the shape of short films, which, of course, are happening only in her imagination. One of them, about aspirins, she did tape and showed it to her employers; one especially, the president of the advertising company, played by Sonny Chiba. They hated it and I certainly agree with them. It’s supposed to be funny, but it’s just plain ridiculous.

4 – Kobayashi and his family, the only hint of something close to human the movie presents us. However, the father gets hypnotized by Aoyama, who convinces him he is a bird. But, as mentioned above, he is killed by Mr. Jones. Thing is, Aoyama dies before he takes Kobayashi out of his trance. So, he spends the rest of the film acting like a bird. His 8-year-old son is ok with that, because, according to him, it’s just a cool change. We have to accept our father just the way he is, even if he jumps off his roof into his lawn, because he thinks he can fly. His family sees that happening through the living room window. Huh… what an awful scene that was. It’s not even an original idea – “Birdy” (1984), with Nicolas Cage and Matthew Modine, did a lot better.

5 – The worst: three teenage burglars who steal nothing. They just like to hang around people’s houses, having the most inane conversations you can think of. Again, absolutely unfunny. Two of them are closeted homosexuals, but decide to be together by the end. One is handsome; the other is terribly ugly and inexplicably tanned. That’s it, there’s nothing else to it.
The ending is supposedly poetic, but I was so annoyed that I couldn’t appreciate it. Bottom line is: Yes, the movie’s got some style, but it doesn’t survive its own utter silliness. Everything about it is gratuitous and superficial. There’s not a speck of substance, no connection at all with something real. I couldn’t identify or sympathize with any character of this film. Survive Style 5+ didn’t make me think or feel anything; my brain was just a blank from beginning to end. The only thing I wondered was: “how worse is this movie going to get? Isn’t it enough?”

By the way, after having seen Vinnie Jones wearing nothing but shorts and flip-flops in a sauna, I will never respect him again.

Grade: U

Link at imdb.

domingo, 7 de agosto de 2011

SIDEWAYS

Year: 2004
Director: Alexander Payne
Screenwriters: Alexander Payne and Jim Taylor


Main Cast:

Paul Giamatti – Miles

Thomas Haden Church – Jack

Virginia Madsen – Maya

Sandra Oh – Stephanie


Imagine you are a screenwriter. You say to yourself: “I want to write a story about real people doing what real people usually do.” It sounds simple enough. One would say: “You just have to observe life and put it on paper. Right?” Wrong. Nothing could be further from the truth. Creating and developing real characters and make the story interesting and exciting is one of the hardest tasks a writer could set itself. Alexander Payne and Jim Taylor did it successfully.

Of course, another very important reason the movie did so well was that the cast fleshed the characters out beautifully, led by the fantastic Paul Giamatti. At first, it seems he is just portraying another loser, something he is very good at. However, if you really pay attention, it’s impossible to put a label on his Miles, simply because he’s a human being. Giamatti is not playing Miles, he became Miles. It’s almost as if he was temporarily possessed by another soul.

First and foremost, Miles is a depressed character. He thinks he’s had a bad run for a long time, since his wife left him. His long, intricate, apparently unreadable novel still hasn’t grabbed his publishers’ attention. He feels lonely and unappreciated. Even with all these justifications, I don’t understand his melancholy. After all, his editor still has faith on him – she’s waiting for him to complete his novel; he has his best friend, Jack, who is irresponsible and an incurable liar, but a lifelong, loyal friend nevertheless. He has a steady job as lit teacher, which is not so bad as working inside an office. I mean little things as well, like passing by a coffee shop for a cappuccino and a spinach croissant in the middle of the day. Man, I love doing that.


There is more: on the top of everything, he meets this beautiful and intelligent woman (Maya), who gives him all the opportunities in the world to win her over. And, tentatively and awkwardly, he does it! He does this incredibly moving monologue (she’s in the same room listening to him) about why he loves Pinot Noir above all other grapes and, in the end, she’s all melted. So, why does keep whining about not having done anything with his life? What does it even mean, “do something with your life”? Leaving something behind so that future generations will remember you? Is that it? If so, why is it so important to matter to the world when you are already dead? Why not just enjoy life as it comes and when you’re dead, you’re dead? Perhaps when I’m old I will understand.

Oh, I forgot to mention, the film is funny as hell, especially towards the end. Most laughs come from the interaction between the opposites – Miles and Jack. Thomas Haden Church does something with his character that many lesser comedic actors wouldn’t or couldn’t. He adds vulnerability to Jack. Sure, he is a lying, inconsequential male slut, but we root for him anyway. He has a sort of childish innocence and naiveté that makes you forgive him. Also, unlike Miles, he is always trying to see the positive side in any situation, even if it means suggesting that his best friend could kill himself to become successful, though yet unpublished, just because it happened to the author of “A Confederacy of Dunces”.

As a final note, I have to mention the lesson Jack inadvertently teaches all womanizers: do your best not to lie to a girl when you are trying to get her in the sack. You might end up wanting more than just a one-night-stand. But then, you’ve already told her unforgiving lies about yourself, which she will eventually find out about. After that, you’re fucked.

Grade: O

Link at imdb.