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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS (THE DARK KNIGHT)

Ano de Produção: 2008
Diretor: Christopher Nolan
Roteiristas: Christopher Nolan e Jonathan Nolan

Atores Principais:

Christian Bale – Bruce Wayne/Batman
Heath Ledger – Joker
Aaron Ekhart – Harvey “Two-Face” Dent
Maggie Gyllenhaal – Rachel
Gary Oldman – Gordon
Michael Caine – Alfred
Morgan Freeman – Lucius Fox
Nestor Carbonell – Mayor
Eric Roberts – Sal Maroni
Ritchie Coster – Chechen
Monique Gabriela Curnen – Ramirez
Chin Han – Lau
Cillian Murphy – Scarecrow
Anthony Michael Hall – Engel

Dualidade e Caos. Como sempre acontece nos filmes do Batman, os vilões roubam a cena. É redundante afirmar que Heath Ledger fez o melhor Coringa de todos os tempos, sem dúvida. Jack Nicholson fez bonito no primeiro Batman, porém o seu Joker é um desvairado cômico, gordinho e de meia idade. Heath é uma força da natureza, um absoluto, sem nome e sem passado. Em resumo, um agente do caos, como seu próprio personagem declara em certo momento do filme. A dualidade é obviamente representada pelo Duas-Caras, mas também é refletida em diversos aspectos do filme.

O primeiro exemplo revela-se pelo par Dark Kight/White Knight. Enquanto que Batman usa os punhos para administrar justiça, Harvey Dent faz o mesmo trabalho dentro da lei. O próprio Bruce Wayne admira a sua coragem e dá uma festa para arrecadar fundos para financiar o trabalho de investigação da Procuradoria, chefiada pelo futuro Duas-Caras. Bruce sabe que é preciso muito mais coragem quando o combate ao crime organizado é realizado sem máscaras, com seu rosto aparecendo na televisão diariamente. Harvey Dent é o verdadeiro super-herói do filme, pelo menos até a sua transformação. Sem nenhum traço de receio pela sua vida, Dent prende metade de toda a máfia (não só a italiana) de Gotham; claro, com a ajuda de um informante, capturado por Batman. Na famosa cena da caneta desaparecendo, na qual o Coringa oferece aos mafiosos seus serviços para matar Batman, ele aproveita para nos explicar que figuras insanamente corajosas como Harvey Dent são inspiradas pelo sucesso do Homem-Morcego no combate ao crime organizado. Em outras palavras, a partir de um elemento, surge outro oposto e complementar, com o mesmo propósito e, assim, a moeda se completa com suas duas faces.

A segunda e mais interessante dualidade é composta pelo previsível/imprevisível, respectivamente representados pelo Batman e pelo Coringa. A contraposição se dá, portanto, entre o rígido código de princípios do Batman e a completa ausência de regras e limites do Coringa. Ao contrário de Batman, cujas principais regras são proteger os inocentes e não matar os criminosos, o Joker consegue o que quer passando por cima de tudo e de todos. E, como o seu único objetivo é instalar o caos e ver o mundo pegar fogo, não há como entender suas motivações e prever suas ações futuras. É por isso que o Coringa está sempre em vantagem sobre o nosso herói. Sabendo que Batman nunca chegará ao ponto de assassiná-lo, o Coringa se diverte torturando e testando os limites do Homem-Morcego até o ponto em que o último chega à conclusão de que a única maneira de vencê-lo é não cumprir as regras. Inclusive, diante do sentimento de impotência perante o arquirrival, Bruce Wayne até considera a possibilidade de aposentar o seu alter ego.

A cena dos dois na sala de interrogatório é um dos confrontos herói-vilão mais bem escritos da história dos filmes adaptados de quadrinhos. Sinceramente, a gente se diverte junto com o Coringa quando ele estabelece a escolha que o Homem-Morcego deverá fazer – quem ele salvará da morte certa? Rachel, o amor de sua vida, ou seu sucessor no combate ao crime, Harvey Dent? Há outra cena na qual o Coringa utiliza um dilema para instaurar o caos e rebaixar os homens ao seu lado mais animalesco. Dois barcos; um com passageiros comuns, o outro com presos; uma bomba em cada um; cada barco tem o detonador para explodir o outro até meia-noite. Passado o horário, ninguém, nem mesmo os condenados, aperta o botão. A civilização vence o caos dessa vez e ninguém sai ferido. O espírito de cooperação prevalece sobre o individualismo. Será mesmo que se daria o mesmo resultado na vida real? Tenho minhas dúvidas. Enquanto Batman e Coringa caem na porrada na sua luta final, simultaneamente eles travam exatamente essa discussão filosófica: no momento de crise, o Homem recorre à sua capacidade para o bem ou à sua capacidade para o mal?

Harvey Dent é o grande trunfo do Coringa, pois, no final, se deixou levar pelo lado negro da força. É uma cena maravilhosa. Vestido de enfermeira, O Joker está no quarto do hospital onde o Duas-Caras se recupera da tragédia que acabara de acontecer. A sua sombra, representada pela metade deformada de seu rosto, torna-se a personalidade dominante na medida em que o Coringa o manipula e eventualmente o convence de que os verdadeiros responsáveis pela morte de Rachel são o Comissário Gordon e sua equipe corrupta. Ele, o Coringa, foi apenas o agente. A mim, não me convenceu muito. Mesmo que a moeda tenha favorecido o Coringa, eu o teria matado de qualquer forma.

Brilhante a atuação de Ledger quando o Coringa sai do hospital e detona a bomba. Ela demora um pouco para explodir totalmente e, por isso, ele olha para o detonador, dá uma balançada nele, checa a bateria e aí sim a bomba explode. Pronto, o hospital principal de Gotham está destruído, assim como ele havia prometido. Como a cena só poderia ser filmada em um take, a fim de que a explosão fosse genuína e não um efeito digital, Heath não sai do papel, mesmo quando a bomba demora a explodir. Descobri que a checadinha no detonador foi pura improvisação.

Tecnicamente, o filme é quase perfeito. A fotografia, realizada por Wally Pfister, ganhador do Oscar por “A Origem”, é espetacular. É o primeiro filme de ficção no qual são utilizadas câmera IMAX e percebe-se a diferença. As cenas panorâmicas, filmadas de cima dos prédios, são de tirar o fôlego. “O Cavaleiro das Trevas” é definitivamente um daqueles filmes que vale a pena ter uma cópia em bluray. Nessas condições, é até melhor assistir um filme desses em casa do que no cinema. E nem há necessidade de se ter um bluray player, uma vez que cópias em alta definição estão amplamente disponíveis nos sites de download.

Só tenho uma reclamação quanto ao aspecto técnico. As cenas de luta ainda são editadas muito rapidamente. Mal dá pra ver o que acontece. Como o uniforme está mais leve e flexível, as lutas são mais empolgantes do que em “Batman Begins”, mas ainda não estão boas. A dificuldade de movimento que Christian Bale enfrenta toda vez que luta ainda é perceptível. Com alguma atenção, é possível notar que, em alguns momentos, os capangas esperam paradinhos o soco ou o pontapé do Batman chegar para que eles, aí sim, possam se jogar no chão. Esse detalhe pode parecer bobo, mas esse tipo de coisa corrói um pouco a credibilidade de Batman como herói incapaz de perder uma briga. É apenas uma questão de verossimilhança. A expectativa é a de que, no último exemplar da trilogia, o Batman esteja mais ágil ainda e, portanto, mais convincente como porradeiro invencível.

Observação final de nerd: ocorre um erro de roteiro na cena em que o Coringa entra de penetra na festa oferecida a Harvey Dent por Bruce Wayne em sua cobertura. Coringa ameaça matar os convidados, um por um, até que alguém revele a exata localização de Harvey Dent. Ninguém sabe. O Joker toma uma medida drástica e ameaça Rachel com uma faca encostada em sua garganta, na beira de uma janela aberta. Batman chega para salvar o dia e demanda que o Coringa largue a moça ou então... “Poor choice of words!” diz o Coringa e larga a moça janela abaixo. Batman pula desesperado pela janela e consegue salvá-la diminuindo a velocidade da queda de ambos com a sua capa e amortecendo-a com o seu corpo. Rachel está sã e salva. Corta para uma cena completamente diferente, o filme continua e ninguém mais menciona a festa. Ué, e o Coringa lá em cima, na cobertura ainda repleta de reféns prontos para o abate? O que aconteceu? O Batman simplesmente se esqueceu de seus convidados e os deixou lá, à mercê do psicopata mais violento da cidade? Por que Batman não volta a sua cobertura e prende o Coringa? Pode ser que ele voltou de fato e o Joker já tinha conseguido fugir. Mas como se o Batman estava lá embaixo, teoricamente bloqueando a única maneira de o Coringa sair do prédio?

O interessante é que ninguém percebe esse erro de continuidade, pelo menos quando assiste o filme pela primeira vez. São os poderes de uma edição ágil e eficiente. As platéias-teste com certeza não devem ter mencionado nada a esse respeito. E, mesmo a par desse lapso, continuo achando esse filme nada menos do que fantástico.

Menção: F

Link no imdb.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

OBRIGADO POR FUMAR (THANK YOU FOR SMOKING)

Ano de Produção: 2005
Diretor: Jason Reitman
Roteirista: Jason Reitman
Atores Principais:

Aaron Eckhart – Nick Naylor
Cameron Bright – Joey Naylor
J.K. Simmons – BR
Maria Bello – Polly Bailey
David Koechner – Bobby Jay Bliss
William H. Macy – Senator Finistirre
Katie Holmes – Heather Holloway
Sam Elliott – Marlboro Man
Robert Duvall – Captain

O filme trata essencialmente de uma questão, a meu ver, pouco discutida ultimamente: a habilidade de argumentação como instrumento de poder. Todo mundo fala do poder da informação, mas do que adianta ter informação privilegiada e não saber como usá-la? Nick Naylor é um expert em transformar simples dados da realidade em argumentos infalíveis. Certo e Errado, Moral e Imoral não têm lugar no seu processo criativo. Afinal, esse talento, como o próprio personagem diz em determinado momento, “paga a hipoteca”.
É a partir daí que vem a graça do filme. Ambientalistas, militantes, o Senador (principal antagonista), todos eventualmente ficam paralisados diante da eloqüência e da absoluta cara-de-pau de Nick, o lobista principal das grandes companhias de cigarro. Uma cena bem ilustrativa é logo a primeira: Nick é convidado a um programa de televisão para debater os males do fumo na população adolescente. Seus adversários são: mães militantes contra o fumo na adolescência, um representante do Senador e, conforme o que diz a plaquinha de identificação a sua frente, “Cancer Boy”, todo frágil e careca. O show começa e a platéia é tão hostil que uma das mulheres cospe em direção a Nick. No final, depois de um discurso brilhante, cuja eficiência deixa o representante do senador sem palavras, Cancer Boy já está apertando sua mão com um largo sorriso e a platéia está aplaudindo, cheia de admiração.

Só que tem um porém. O filho de Nick, Joey. Aparentemente, pai e filho têm uma relação espetacular. Apesar de morar com a mãe e seu padrasto, Joey adora o pai e vice-versa. Ambos fazem o típico do pai e filho no fim de semana e, além disso, Joey freqüentemente acompanha Nick em suas viagens de negócio. No entanto, como resultado dessa convivência e da observação de seu pai em serviço, sua moral está ficando gradativamente mais flexível.

Nick sabe disso, mas somente age nesse sentido depois de sofrer um hilário atentado contra a sua vida. O protagonista finalmente decide dar o exemplo a Joey e inclui um pouquinho do moralmente correto em seus atos. Muitos críticos meteram o pau nesse aspecto do filme, mas admito que não me incomodou muito. Pensando bem, eu concordo com o Nick depois de sua reviravolta. Ele pode muito bem usar seus talentos retóricos em favor de outras organizações menos “assassinas”.

Escolhi usar aspas acima, porque, apesar de considerar as multinacionais do cigarro um apêndice purulento do capitalismo (e as de fast-food também), os maiores responsáveis pelas mortes causadas pelo cigarro de nicotina são, acima de tudo, os usuários. Estamos acostumados demais a retirar a carga de responsabilidade sobre os nossos atos. Quem obriga o fumante a ir à padaria comprar um maço? Propaganda? Será mesmo? Pessoalmente, acho que o cigarro ainda prospera porque, ás vezes, é foda lidar com o livre arbítrio.
P.S.: Àqueles que nunca viram ou que desejam rever o filme, chamo atenção especial aos encontros dos “Mercadores da Morte”. Os três atores dão uma aula de timing cômico.

Menção: O

Link no imdb.